Botânica | Vegetais Fanerógamos

setembro 21, 2018

FANERÓGAMAS


Figura 1 -  Flor e agente polinizador.


Esse grupo é constituído pelas gimnospermas e angiospermas, vegetais que possuem tecidos verdadeiros, como as pteridófitas. As angiospermas, em especial, se apresentam como um grupo diversificado de seres vivos, chamando a atenção devido à presença das flores e frutos. As gimnospermas, por sua vez, são caracterizadas pela formação de sementes “nuas”, ou seja, por não possuírem frutos.


Figura 1 - Pinheiro do Paraná (Araucaria angustifolia).

As fanerógamas são vegetais sifonógamos, pois formam tubo polínico, uma estrutura que permite o encontro dos gametas masculinos e femininos, tornando-as independentes da água para realizar a reprodução.

As gimnospermas e angiospermas são também denominados vegetais traqueófitos e espermatófitos, pois possuem vasos condutores de seiva e produzem sementes, respectivamente. As coníferas ou gimnospermas são representadas pelos pinheiros.

As estruturas reprodutivas nesse grupo são designadas como cones ou estróbilos. Essas estruturas não possuem cores ou  perfumes atrativos como os das flores nas angiospermas, pois utilizam o ar como agente polinizador. A polinização feita pelo ar é conhecida como anemófila.


Figura 2 - Cones ou Estróbilos
(Autor: foxypar4).

As plantas frutíferas ou angiospermas, possuem flores vistosas, coloridas e perfumadas para atrair agentes polinizadores, insetos e aves, principalmente. A polinização feita pelos insetos, é denominada entomofilia, e a feita por aves, ornitofilia. Apesar das angiospermas apresentarem uma maior frequência de polinização feita por animais, algumas espécies ainda realizam polinização anemófila.


Figura 3 - Polinização entomófila.
(Fonte: data:image/jpeg;base64,/)

As flores das angiospermas representam uma evolução tão complexa das estruturas reprodutivas que dedicaremos um pouco mais de tempo na sua caracterização.


Estruturas da Flor das Angiospermas


As flores das angiospermas podem ser monóclinas ou díclinas. As monoclinas são flores hermafroditas, ou seja, possuem órgãos masculinos e femininos. Já as díclinas, possuem apenas um dos aparelhos reprodutores, constituindo assim, flores de sexos diferentes. As estruturas reprodutoras masculinas são denominadas estames, enquanto as femininas são denominadas como carpelos ou pistilos.

Os estames são formados por filete e anteras, que se mantêm unidas pelo conectivo. Dentro das anteras existem os sacos polínicos, estruturas responsáveis pela produção dos grãos-de-pólen.


Figura 4 - Estruturas da flor.
(Autor: Mariana Ruiz)

Os carpelos são formados por três estruturas, o estigma, o estilete e o ovário. O estigma corresponde à abertura do carpelo que se conecta ao ovário por um longo tubo, o estilete. No ovário, encontramos o óvulo que dará origem ao saco embrionário e que, por sua vez, conterá a oosfera, o gameta feminino.

Os órgãos reprodutores são protegidos por diversas estruturas ao seu redor, as pétalas e sépalas, que em conjunto são denominadas como corola e cálice, respectivamente. Servido de base para todas as estruturas citadas anteriormente, existe o receptáculo floral, porção dilatada do pedúnculo ou pedicelo floral que, por sua vez, conecta a flor ao vegetal.


REPRODUÇÃO

Nesses grupos vegetais, os ciclos reprodutivos são muito similares, respeitadas as diferenciações nas estruturas nítidas de cada espécie. Nas pteridófitas e fanerógamas temos um ciclo reprodutivo caracterizado pela heterosporia, ou seja, a formação de esporos masculinos e femininos distintos. Enquanto na briófitas ocorre a homosporia, formação de um único tipo de esporo. A heterosporia é mais comum nas espermatófitas, as plantas com sementes.

Nas gimnospermas, os estróbilos femininos produzem megasporângios, estruturas que formam, por meiose, os megásporos (esporos femininos). Os cones masculinos, por sua vez, produzem microsporângios que contêm os micrósporos (esporos masculinos). Os megásporos formam, em seguida, estruturas denominadas arquegônios que contêm no seu interior a oosfera, o gameta feminino. Já os micrósporos, formam os grãos-de-pólen que contêm no seu interior dois núcleos/células, um deles é a célula do tubo, responsável por formar o tubo polínico e, a outra, é o um núcleo gerador/reprodutor que se dividirá em dois núcleos espermáticos, os gametas masculinos.


Figura 5 - Ciclo reprodutivo das gimnospermas.
( Autor: Jhodlof)

Com a polinização, os grãos-de-pólen são levados do estróbilo masculino ao feminino. Cada “escama” do cone feminino pode conter dentro de si dois arquegônios e, por isso, pode ser fecundado por grãos-de-pólen distintos, podendo formar mais do que um embrião, caso denominado poliembrionia.

A fecundação ocorrerá com o auxílio do tubo polínico e, apesar de existirem dois gametas masculinos, apenas um irá fecundar a oosfera, enquanto o outro irá se degenerar. Depois da fecundação, forma-se-á o embrião e o endosperma primário. A partir desse momento, o megasporângio (escama) torna-se a semente.

O endosperma funcionará como nutriente para o desenvolvimento do embrião. Desta forma, após as várias fecundações de diferentes “escamas”, o cone feminino se torna um cacho de sementes e, quando essas semente caírem no solo, irão germinar, formando novos esporófitos, os pinheiros.

Nas angiospermas, os grãos-de-pólen são depositados pelos polinizadores sobre o estigma da flor. Então, incia-se a formação do tubo polínico que irá se alongar até o saco embrionário, localizado no ovário da flor. Dentro do saco embrionário existe um conjunto de oito células, três antípodas, dois núcleos polares, duas sinérgides e uma oosfera.


Figura 6 - Ciclo reprodutivo das angiospermas
(Autor: Mariana Ruiz)

No interior dos grãos-de-pólen existem dois núcleos, um vegetativo e outro reprodutor. O núcleo vegetativo é também denominado célula do tubo, sendo responsável por formar o tubo polínico. Já o núcleo reprodutor ou generativo, irá se dividir em dois núcleos espermáticos, os gametas masculinos.

Ao contrário do que aconteceu nas gimnospermas, os dois núcleos espermáticos serão utilizados na fecundação, ocorrendo assim, uma dupla fecundação nas angiospermas. A primeira fecundação ocorre entre o primeiro núcleo espermático e a oosfera, formando o embrião diploide (2n). A segunda fecundação ocorre entre o segundo núcleo espermático e os dois núcleos polares, formando assim, o endosperma secundário, um tecido triploide (3n). Esse endosperma recebe tal designação pelo fato de ter sido originado a partir de uma fecundação, diferentemente do que ocorreu com as gimnospermas.

Após a fecundação, o saco embrionário se torna a semente, pois conterá em seu interior o embrião e o endosperma secundário. O ovário  da flor se torna o fruto. As sementes das angiospermas podem ser classificadas de acordo com a quantidade de cotilédones que possuem. Os cotilédones são “folhas embrionárias” com função nutritiva. Vegetais que possuem apenas um cotilédone são denominadas monocotiledôneas, enquanto os que possuem dois, são conhecidas como eudicotiledôneas.


Figura 7 - Anatomia da semente de eudicotiledônea.
(Autor: LadyofHats)

A quantidade de cotilédones influencia diretamente na estruturação do vegetal. As monocotiledôneas, por exemplo, não possuem ramificações em suas estruturas, enquanto as eudicotiledôneas, as possuem. Se, por exemplo,  analisarmos o caule de uma planta e observarmos a existência de ramificações/galhos, podemos identificá-la como sendo eudicotiledônea.

Caso não existam ramificações no caule, a identificamos como sendo monocotiledônea. Essa mesma linha de raciocínio funciona para a estruturação das raízes e para as nervuras das folhas.
Esse dois grupos vegetais podem, ainda, ser diferenciados pelo padrão de germinação das suas sementes, pelo padrão de distribuição dos vasos condutores de seiva e, até mesmo, pelo padrão de estruturação das suas flores.


Reprodução Assexuada


Várias angiospermas possuem processo de reprodução assexuada que pode ser realizada por meio de estaquia e mergulhia. A estaquia consiste na plantação de estacas obtidas a partir do corpo do vegetal, tal processo é bastante observado no plantio de roseiras. A mergulhia é observada quando um ramo de um vegetal “mergulha” no solo, o que propicia a formação de raízes e permite, posteriormente, a separação física do ramo enraizado.

Finalizo aqui esse artigo. Espero que as informações sejam proveitosas. Um grande abraço.
Bons estudos.

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