Reino Monera | Seres Procariontes

setembro 20, 2018



Figura 1 - Representação de bactérias.
(Fonte: https://bit.ly/2OGEldu).

Os representantes desse reino são unicelulares e procariontes, pois não possuem núcleo organizado em consequência da falta de uma membrana nuclear, também denominada como carioteca. A ausência da carioteca define esse organismos como possuidores de um núcleo disperso, um nucleoide. Diversas estruturas celulares podem ser observadas nos procariontes. Algumas delas estão presentes também nos eucariontes.


Figura 2 - Estruturação básica de uma bactéria.
(Fonte: https://bit.ly/2FhCInf).

Mesossomo

Essa estrutura é responsável pela produção de energia nos indivíduos heterótrofos, pois não possuem mitocôndrias. O mesossomo é um termo antigo, utilizado para caracterizar uma região da membrana plasmática das bactérias que possui o complexo enzimático responsável pelo processo de oxidação que proverá energia à célula. Há controvérsias sobre a existência do mesossomo.

Ribossomos

As bactérias possuem ribossomos dispersos no seu citoplasma que são responsáveis pela síntese proteica. Esses ribossomos são formados por duas subunidades e possuem tamanho similar aos ribossomos de células eucariontes.

Plasmídeos

Essas estruturas possuem diversos genes relacionados à resistência contra medicamentos. Apesar de ser formado por DNA, não substitui a molécula principal presente no interior da célula, onde se localizam os genes relativos às características do organismo.

Fímbrias ou Pili


Figura 3 - Esquematização do interior de uma bactéria.
(Fonte: https://bit.ly/2DmO5b5).

As fímbrias se assemelham aos cílios e estão presentes na superfície de uma célula. Contudo, tais estruturas não são cílios e sua utilidade está relacionada ao reconhecimento celular e à reprodução conhecida como conjugação.

Parede Celular

A parede celular das bactérias é composta por uma substância denominada peptídeoglicano, ou seja, uma substância composta por carboidratos e proteínas. As bactérias que possuem grande quantidade de peptídeoglicano em sua parede celular são consideradas Gram-positivas e as que possuem uma menor quantidade, Gram-negativas. Essa diferenciação é importante para um tratamento adequado com antibióticos. As bactérias gram-negativas possuem o peptídeoglicano localizado entre duas camadas de membrana.

Flagelos


Figura 4 - Estruturação do flagelo bacteriano.
(Fonte: https://bit.ly/2DmOmL9).

Os flagelos bacterianos são formados por proteína flagelina e possuem uma complexa estruturação que envolve diferentes tipos de proteínas. A ação conjunta da proteínas promove um movimento rotatório do flagelo que, por sua vez, ocasionará a movimentação da bactéria.

MORFOLOGIA

O formato das bactérias é utilizado como método de classificação para as mesmas. Bactérias com formato esférico são denominados cocos, as com formato de bastão são os bacilos, as com formato espiralado são ditos espirilos.

Bactérias do gênero Spirulina sp., por exemplo, são autótrofas fotossintetizantes, pertencentes ao grupo das cianobactérias e, portanto, importantes constituintes do fitoplâncton. Existem, ainda, diversos formatos de bactérias: estafilococos, tétrades, sarcinas e outras. Algumas sendo causadoras de doenças e outras, sendo importantes para a manutenção do ambiente.


Figura 5 - Classificação das bactérias quanto à sua forma.
(Fonte: https://bit.ly/2B3cFw3).

As bactérias do tipo estafilococos, por exemplo, são patógenas gram-positivas relacionadas com diversos tipos de doenças no homem, sendo caracterizadas pela formação de agrupamentos de cocos que lembram um cacho de uvas. As da espécie Staphylococcus aureus, estão relacionadas às doenças como meningite, endocardite, septicemia e pneumonia.

Algumas bactérias formam, ainda, fileiras de bacilos, sendo denominadas estreptobacilos. Outras possuem formato encurvado, como os vibriões. Algumas podem ser encapsuladas e, ainda, filamentares.

Apesar de existirem várias espécies de bactérias patógenas, a grande maioria desses organismos é responsável pela manutenção do meio ambiente e/ou estão associadas à outros organismos de forma mutualística.


NUTRIÇÃO

Fotoautotróficas

Utilizam a luz como fonte primária de energia e o CO2 como fonte de carbono.

CO2 + 2H2S --> (CH20) + 2S + H2O

Ex: Sulfobactérias Verdes e Púrpuras; Cianobactérias e Proclorófitas.


Quimioautotróficas

Dependem de reações de oxirredução de compostos inorgânicos ou de compostos orgânicos para obter energia e CO2 como fonte de carbono.

2H2S + O2 --> 2S + 2H2O + ENERGIA


2S + 3O2 + 2H2O --> 2H2SO4 + ENERGIA

Ex: Bactérias Nitrificantes (Nitrosomonas e Nitrobacter), Bactérias do Enxofre, do Ferro e do Hidrogênio.


Fotoheterotrófica

Utilizam a luz como fonte de energia, mas não consegue converter moléculas de CO2 em substâncias orgânicas.

Ex: Não Sulfobactérias Verdes e Púrpuras.


Quimioheterotrófica

Utilizam moléculas orgânicas absorvidas do meio como fonte de energia e de átomos de carbono.

Ex: Bactérias Saprofágicas.

Bactérias Aeróbias

São bactérias que só sobrevivem na presença de oxigênio, pois obtém energia através da respiração celular aeróbia.


Bactérias Anaeróbias Obrigatórias

Não toleram a presença de oxigênio e morrem quando expostas à ele.

Ex: Clostridium tetani


Bactérias Anaeróbias Facultativas

Podem obter energia tanto por meio de respiração aeróbia quanto da fermentação, dependendo da disponibilidade, ou não, de oxigênio.


Reprodução

As bactérias possuem reprodução assexuada e sexuada. A reprodução assexuada ocorre por meio da divisão binária, também conhecida por cissiparidade ou bipartição. A reprodução sexuada pode ocorrer de três formas, a conjugação, a transdução e a transformação.

Na divisão binária, a célula bacteriana duplica seu material genético e, posteriormente, divide-se em duas. Na transdução, material genético é transferido de uma bactéria pra outra por meio de vírus. Em situações especiais, um vírus invade uma célula e se reproduz no interior da mesma, multiplicando-se e destruindo-a.



Figura 6 - Divisão binária bacteriana. 
(Fonte: https://bit.ly/2qImjhB).

Os novos vírus produzidos por esse processo multiplicativo podem conter, dentro de si, material genético puramente viral ou puramente bacteriano e, até mesmo, um material genético misto.

Quando um vírus que contém material genético bacteriano invade uma outra célula, acaba por transferir não-intencionalmente DNA de uma bactéria para outra. O DNA transferido irá se incorporar ao da bactéria receptora, tornando-a geneticamente diferente.

Na transformação, bactérias capturam pedaços de material genético dispersos no meio. Quando uma célula bacteriana morre, seu DNA pode ficar exposto ao ambiente e ser absorvido por outras bactérias próximas. O DNA absorvido é incorporado ao da célula receptora, tornando-a geneticamente distinta em relação ao que era anteriormente, ou seja, um novo indivíduo.


Figura 7 - Esquematização das reproduções sexuadas de bactérias.
(Fonte: https://bit.ly/2K1JCf4).

Na conjugação, duas bactérias se conectam através de suas fímbrias, formando uma ponte citoplasmática através da qual será transferido o material genético. O material transferido será, então, incorporado ao da bactéria receptora, o que a tornará geneticamente diferente em relação ao momento anterior.


DOENÇAS BACTERIANAS

Leptospirose

Doença transmitida por contato direto com animais infectados ou por água contaminada pela urina desses animais, normalmente ratos. A incubação da bactéria (Leptospira sp.) dura de 10 a 20 dias, causando sintomas como febre, dores de cabeça e musculares, vômito e hemorragias digestivas.


Meningite Meningocócica

Essa doença é caracteriza pela inflamação da meninges, membranas que envolvem o sistema nervoso central. A meningite, causada pela bactéria Neisseria meningitidis, é extremamente contagiosa, podendo causar uma infecção generalizada no organismo contaminado. A transmissão se dá pelo contato com a saliva de indivíduos infectados e os sintomas se resumem à fortes dores de cabeça, vômitos, irritação e manchas vermelhas na pele.


Salmonelose

Infecção causada pela bactéria salmonela (Salmonella enterica) através da ingestão de alimentos contaminados. Entre 12 e 72h após a contaminação, a pessoa apresenta fortes dores abdominais, com febre e diarreia.


Tétano

É uma doença infecciosa, não-contagiosa, causada pela bactéria Clostridium tetani. Ao penetrar no organismo através de lesões na pele, provoca espasmos musculares que afetam os músculos respiratórios, causando a morte do indivíduo contaminado.


Tuberculose

Doença infecciosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de Koch. A transmissão se dá de forma direta, através do contato com as gotículas de saliva contaminadas. A bactéria afeta as vias respiratórias, causando tosse seca e cansaço nos estágios iniciais, progredindo para eliminação de sangue pus nos estágio mais graves da doença.


Hanseníase

Causada pela bactéria Mycobacterium leprae que ataca os nervos periféricos da pele, podendo afetar, ainda, fígado, testículos e olhos. O período de incubação varia de 3 a 5 anos, sendo caracterizado pelo aparecimento de manchas dormentes, avermelhadas ou esbranquiçadas. A doença é contagiosa e pode ser transmitida por vias respiratórias, caso o indivíduo não esteja em tratamento.

Finalizo aqui este artigo. Espero que seja muito proveitoso para você. Bons estudo e um grande abraço.



Referências

MADIGAN, M. T. et al. Brock: Biologia dos microrganismos. 10ª ed. Person, 2004.

TORTORA, G. J. et alMicrobiologia 10. ed. Porto Alegre: Artmed, 2012.

ROBBINS, S. L; COTRAN, R. S. Patologia: Bases patológicas das doenças. 7ª ed. Rio de Jeneiro: Elsevier, 2005.

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