Vírus | Moléculas Infecciosas

setembro 25, 2018

Apesar de possuírem material genético (DNA ou RNA), proteínas e, em algumas situações, envoltórios membranosos, os vírus são desprovidos de células, ou seja, são acelulares. Os vírus com DNA são denominados adenovírus. Os vírus com RNA podem ser positivos ou negativos. Existem, ainda, os retrovírus, vírus com RNA e a enzima transcriptase reversa.



Figura 1 - Representação de um vírus.

A presença de ácidos nucleicos confere aos vírus a capacidade de replicação/reprodutividade, hereditariedade e evoluir, o que os aproxima dos seres vivos. Contudo, além de acelulares, os vírus não possuem metabolismo, ou seja, não estão vivos, pois são incapazes de realizar reações bioquímicas por conta própria e, em outras palavras, incapazes de produzir a energia necessária à vida.

A ausência de metabolismo torna os vírus parasitas intracelulares obrigatórios. Tal designação se deve ao fato deles invadirem células para se utilizarem do metabolismo inato e, desta forma, adquirem a capacidade replicativa necessária à sua disseminação.


Estrutura Básica dos Vírus

Os vírus podem possuir capsídeo e/ou serem envelopados. A estrutura do capsídeo é formada a partir de proteínas (capsômeros), possuindo estruturações complexas diversas. O envelope é constituídos por uma membrana que tem por finalidade facilitar o reconhecimento com a membrana da célula hospedeira e, consequentemente, a infecção.

O envelope do vírus da gripe, por exemplo, contém dois tipos de glicoproteínas. A hemaglutinina (Espículas H), que permitem aos vírus se ligarem às células hospedeiras, e a neuraminidase (Espículas N), que auxilia no desprendimento da célula hospedeira. O envelope viral se forma com a saída do vírus da célula hospedeira, contendo em sua estrutura novas proteínas H e N, codificadas a partir das informações genéticas do vírus, para que possa infectar novas células.


Figura 1 - Esquematização de vírus envelopados e não-envelopados.
(Fonte: https://upload.wikimedia.org/)

As estratégias de infecção dos vírus variam de acordo com a sua estruturação, tipo de envelope e, finalmente, tipos de células alvo. A relação entre o vírus e a célula hospedeira é bastante específica, pois, em algumas situações, se faz necessário o acoplamento das proteínas virais com as proteínas da membrana da célula hospedeira. Em outras situações, os vírus injetam seu material genético nas células hospedeiras, tal qual o que ocorre com os vírus bacteriófagos.


Bacteriófagos

Os bacteriófagos podem ser DNA-vírus ou RNA-vírus. Eles não possuem envelope e o seu capsídeo apresenta estruturação complexa. Os bacteriófagos são conhecidos pela capacidade de infectar bactérias. O capsídeo possui uma cauda que atua como uma micro seringa, o que permitirá a injeção do material genético viral na célula hospedeira.


Figura 2 - Esquematização de um bacteriófago.
(Fonte: https://upload.wikimedia.org/)

Após ser injetado na célula hospedeira, o material genético do bacteriófago irá se mesclar ao da célula para, desta forma, se utilizar do metabolismo e produzir cópias de si. Esse processo de replicação ocorre de forma tão intensa, o que ocasiona a morte da célula hospedeira e, consequentemente, a liberação de novos vírus capazes de invadir outras células.


Retrovírus

Os retrovírus possuem em sua estruturação a enzima transcriptase reversa. Essa enzima participa diretamente do processo reprodutivo viral, sendo fundamenta para a ocorrência da infecção. O funcionamento da enzima pode ser observada no vírus HIV. Após adentrar na célula hospedeira e, consequente, após a liberação do capsídeo no meio intracelular, o capsídeo será destruído, liberando o RNA viral e suas enzimas.

A infecção da célula hospedeira representa um desafio, pois o núcleo da célula é composto por DNA, enquanto o HIV é do tipo RNA. Esse problema é solucionado com a conversão do material genético viral, de RNA para DNA. Essa conversão é realizada pela transcriptase reversa, formando assim um cDNA (DNA complementar).



Figura 3 - Esquematização do ciclo reprodutivo do HIV.
(Fonte: https://steemitimages.com/)

Antes que a molécula de cDNA esteja completa, existe uma fase intermediária onde se forma uma molécula híbrida (DNA-RNA). Finalizada a molécula de cDNA, o RNA viral é destruído e, em seguida, o cDNA é conduzido ao núcleo, onde se unirá ao DNA da célula hospedeira, comandando a produção de novas partículas virais.

As partículas virais produzidas serão reunidas, estruturando um novo vírus. Esses vírus se deslocam para fora da célula hospedeira, levando consigo uma pequena porção da membrana plasmática que servirá como envelope viral.


Citomegalovírus

São vírus que causam infecções no sistema nervoso central, digestório e na retina, podendo ser transmitidos através de secreções como: tosse, saliva, transfusão de sangue, contato íntimo e compartilhamento de objetos contaminados.

Esses vírus pertencem à família do herpesvírus, a mesma da catapora, herpes simples, herpes genital e herpes zoster. Os citomegalovírus nunca abandonam o organismo da pessoa infectada, pois permanecem em estado latente, reativando-se com a baixa da imunidade do hospedeiro.


Reprodução Viral

O ciclo reprodutivo dos vírus pode ser caracterizado como lítico ou lisogênico. O ciclo lítico promove a morte da célula hospedeira como consequência da intensa multiplicação viral, enquanto no ciclo lisogênico, o vírus permanece latente, reproduzindo-se à medida que a própria célula hospedeira o faz.


Figura 4 - Ciclo reprodutivo lítico de um bacteriófago.
(Fonte: https://hotzone4th1044518.weebly.com/)



DOENÇAS CAUSADAS POR VÍRUS

Rubéola

Doença causada por vírus do tipo RNA (Togavírus). Essa doença é caracterizada pela formação de manchas vermelhas pelo corpo, causando dor de cabeça, nas articulações, nos testículos e na musculatura. A rubéola pode causar aborto se contraída durante o período gestacional. O tratamento se resume, basicamente, no alívio dos sintomas com antitérmicos e analgésicos.


Dengue e Febre Amarela

Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti através da picada. A doença causa febre alta com dores de cabeça e no corpo, podendo haver náuseas e vômito. Também pode apresentar a formação de manchas avermelhadas na pele e, em alguns casos, sangramentos através da cavidade nasal ou oral. O mosquito da dengue também pode ser transmissor do vírus da febre amarela. Os sintomas dessa doença se assemelham aos da dengue, podendo progredir para um quadro mais grava com icterícia, hemorragias, comprometimento renal e, até mesmo, problemas cardíacos.


Varíola

Essa doença é causada por um Orthopoxvírus, após penetrar no corpo do hospedeiro, o vírus se espalha através da sua corrente sanguínea e, num estágio posterior, causa a formação de protuberâncias na pele que estão repletas de pus, o que causa muita dor e coceira. 

Finalizo aqui esse artigo, é óbvio que existem várias outras características e doenças à serem abordadas, mas isso é tema para outras publicações. Espero que você aproveite a leitura.

Um grande abraço.



Referências

ROBBINS, S. L; COTRAN, R. S. Patologia: Bases patológicas das doenças. 7ª ed. Rio de Jeneiro: Elsevier, 2005.

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