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Zoologia | Amphibia

Os anfíbios são assim denominados por apresentarem, em geral, um vida dividida entre dois ambientes distintos, um aquático e outro terrestre. Como representantes desse grupo, podemos citar os sapos, salamandras e as cecílias (“cobras-cegas”). Estas últimas, apesar de popularmente conhecidas como cobras-cegas, não são cobras e, nem muito menos cegas. Cobras pertencem ao grupo dos répteis e logo serão abordadas no próximo artigo.

Lembre-se que anfíbios são cordados e que possuem um grande quantidade de característica já listadas no artigo anterior. Caso não tenha lido o texto sobre os cordados, o faça clicando aqui. As informações citadas lá não serão redundantemente repetidas aqui, pois enfatizaremos apenas as características gerais que os diferenciam dos demais grupos de cordados.



Figura 1 - Visão lateral (perfil) de um sapo.

Os anfíbios se apresentam como o grupo de vertebrados tetrápodos (Figura 1) que primeiro conquistou o ambientes terrestre, apesar de estarem muito limitados ao ambiente aquático em sua fase juvenil e, durante a fase adulta, no que diz respeito à fertilização.

Os anfíbios possuem um desenvolvimento indireto, ou seja, apresentam fase larval. A larva apresenta respiração braquial e, por isso, possui limitação ao ambiente aquático. Com a consequente metamorfose (Figura 2), as larvas (girinos) alcançam a fase adulta e passam a ter respiração principalmente cutânea, auxiliada por uma respiração pulmonar. Contudo, a rudimentalidade dos pulmões os tornam secundários no processo respiratório.

A respiração cutânea só é possível graças à presença de uma pele fina e úmida altamente vascularizada, o que facilita as trocas gasosas no corpo do animal. Algumas espécies podem suportar melhor condições de pouca umidade do que outras, mas de modo geral, a água também se faz necessária para a respiração.

Além de realizar a respiração, a pele de anfíbios é conhecida por apresentam uma grande quantidade de glândulas mucosas e de veneno. Esta última, está diretamente relacionada à defesa do animal contra predadores.



Figura 2 - Estágios de desenvolvimento de um sapo, a metamorfose.
(Fonte: Wikipedia)

A reprodução também é um fator limitante para que os anfíbios, pois esses animais são dioicos e ovulíparos, ou seja, liberam seus gametas na água e, desta forma, possuem fecundação cruzada e externa. Os ovos fertilizados não possuem casca e, assim, desidratariam facilmente em um ambiente terrestre.

Algumas espécies de anfíbios conseguem depositar seus ovos sobre folhas próximas à água. A desidratação é evitada com uma estratégia muito simples, os ovos ficam envoltos por uma camada gelatinosa.

Uma espécie denominada sapo-canguru, apresenta uma estratégia bem distinta. Nessa espécie, os ovos fertilizados são armazenados em uma camada sob a pele do animal, como uma bolsa de canguru, daí sua designação. Nessa situação, os ovos estão protegidos da desidratação e, ainda, contam com a proteção parental.


Figura 3 - Coração tricavitário de anfíbios.
(Fonte: Life - The Science of Biology).

No que se refere à circulação, os anfíbios possuem uma circulação dupla, fechada e incompleta. Seu coração possui três cavidades, dois átrios e um ventrículo (Figura 3). A presença de um único ventrículo faz com que ocorra mistura de sangue arterial e venoso, o que afeta diretamente o metabolismo desse animal e, por isso, são considerados ectotérmicos, ou seja, a sua temperatura varia de acordo com a do ambiente.



Figura 4 - Anatomia interna de sapo - 1. Átrio direito; 2. Fígado; 3. Aorta; 4. Ovos; 5. Cólon intestinal; 6. Átrio esquerdo; 7. Ventrículo; 8. Estômago; 9. Pulmão esquerdo; 10. Baço; 11. Intestino delgado e 12. Cloaca.
(Fonte: Wikipedia)

Algumas espécies de anfíbios evoluíram de forma distinta, perdendo os membros e voltando à rastejar no solo. Esses animais são melhor conhecidos como ápodos, sem pernas. Apesar se possuírem um longo corpo cilíndrico que os assemelham à serpentes, esses animais são tipicamente anfíbios.


Figura 5 - Anfíbio ápoda.
(Autor: Ariovaldo Giaretta).

Um outro grupo de anfíbios que se destaca é o das salamandras, pois possuem cauda. Esses animais são, em geral, de pequeno porte. Contudo, uma espécie de salamandra gigante (Cryptobranchus alleganiensis) com dois metros de comprimento pode ser observada no japão.

Classificação de anfíbios

Anura - Sem cauda, Ex: Sapos e Rãs.
Urodela - Com cauda, Ex: Salamandras.
Gymnophiona - Sem pernas, Ex: Cecílias (Dermophis mexicanus).

Finalizo aqui mais um artigo, espero que o conteúdo seja proveitoso. Bons estudos.


Referência

POUGH, F. H. et alA vidas dos vertebrados. 4ª Ed. São Paulo: Atheneu, 2008.

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