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Citologia | Endocitose e Exocitose

Os processos de endocitose e exocitose, bem como os transportes passivos e ativos, são fundamentais para a nutrição, eliminação de substâncias úteis e de resíduos do metabolismo celular. Contudo, nesse artigo abordaremos o englobamento e eliminação de partículas, deixando os transportes para um outro momento.

Caso você não tenha lido o artigo anterior sobre as características e funções da membrana plasmática, recomendo que o faça agora clicando aqui. Isso facilitará a compreensão dos conteúdos que serão abordados nesta leitura.

A endocitose é responsável pelo englobamento de partículas, enquanto a exocitose realiza a eliminação delas. Em outras palavras, o primeiro irá capturar substâncias do meio extracelular e trazer para o intracelular, enquanto o segundo realizará o processo inverso.

Dois tipos de endocitose devem ser destacados, a fagocitose e a pinocitose (Figura 1). Na fagocitose, temos o englobamentos de partículas sólidas e, para tal, a membrana se projeta por sobre a partícula, envolvendo-a, como se estivesse abraçando-a. Isso é possível graças à uma importante capacidade da membrana plasmática, a formação de pseudópodes.



Figura 1 - Fagocitose e pinocitose.
(Fonte: https://goo.gl/VsCkjv).

Na pinocitose, o comportamento da membrana celular é distinto. Ele não se projeta por sobre a partícula utilizando pseudópodes, pois, da mesma forma que não conseguimos abraçar a água, a membrana não consegue abraçar partículas líquidas.

Desta forma, a estratégia utilizada pela membrana celular será outra. Um dobramento da membrana para o interior do citoplasma se formará, formando uma espécie de sulco ou calha onde o líquido, ou fluído extracelular, poderá se acumular. Essa dobra para o interior da célula recebe o nome de invaginação. A endocitose pode, ainda, ser intermediada por receptores de membrana. Proteínas específicas que se localizam na superfície da membrana citoplasmática para reconhecer/identificar substâncias.

Após o processo de endocitose ter se concluído, temos a formação de uma vesícula, uma espécie de bolha de membrana que contem em seu interior as partículas capturadas. No caso da fagocitose, a vesícula é comumente denominada como fagossomo, enquanto na pinocitose ela é conhecida como pinossomo.

As vesículas formadas pela endocitose estão, agora, no interior da célula e, com a atuação dos lisossomos, serão submetidas à digestão intracelular. Para tal, a vesícula formada pela endocitose deve se unir ao lisossomo. Lembro-lhes que o lisossomo também é uma vesícula, sendo que esta foi formada pelo complexo golgiense e, diferentemente de um fagossomo ou pinossomo, contêm dentro de si, enzimas digestivas.

Na exocitose existem dois tipos de eliminação de partículas a serem diferenciados, a secreção celular (Figura 2) e a clasmocitose ou defecação celular. A primeira se distingue pela sua relação com a eliminação de substâncias úteis (hormônios e enzimas, por exemplo), enquanto a segunda o faz para eliminar resíduos/excretas (amônio, ácido úrico e ureia, por exemplo).



Figura 2 - Secreção celular.
(Fonte: https://goo.gl/YydJ8X).

Cabe, agora, diferenciar excretas e fezes. O primeiro é resíduo do metabolismo celular, ou seja, subprodutos das reações celulares que, por muitas vez, são tóxicas e, por isso, devem ser eliminadas das células. Os excretas chegarão à corrente linfática e, em seguida, à corrente sanguínea. Alguns serão metabolizados pelo fígado e, posteriormente, filtrados nos rins, formando assim, a urina.

Logo, os excretas estão relacionados à formação de urina. Já as fezes, ou bolo fecal, são restos da alimentação diária de uma pessoa, remanescentes que não foram digeridos ou absorvidos durante sua passagem pelo estômago e intestino.

Essa diferenciação é importante, pois grande parte da população acreditam que excretas e fezes são a mesma coisa e, por isso, desaconselho a utilização do termo defecação celular pela confusão óbvia que o mesmo causa. Contudo, é importante ter ciência da sua existência.

Figura 3 - Secreção celular com sinalização de células-alvo.
(Fonte: Life - The Science of Biology).

No processo de secreção celular, temos a participação direta do complexo golgiense. Essa organela é responsável pela formação das vesículas que irão carregar/transportar, dentro de si, as substâncias úteis que serão eliminadas. As vesículas utilizadas para esse propósito são denominadas de grão-de-zimógeno.

As substâncias enviadas para fora da célula irão desempenhar o papel ao qual são destinadas. Caso seja um hormônio, ele irá alcançar a corrente sanguínea e sinalizar células específicas (Figura 3). Caso a substância secretada seja uma enzima digestiva, ele serão eliminada para o lúmen estomacal ou intestinal, onde iniciará o processo digestório (Figura 4).

Figura 4 - Secreção celular de pepsinogênio, enzima digestiva.
(Fonte: Life - The Science of Biology)

Retomemos, agora, a clasmocitose. Como dito anteriormente, os lisossomos irão se unir ao endossomo, termo geral para a vesícula proveniente de uma endocitose, formando assim, um vacúolo digestório.

Imagine, por exemplo, duas bolhas de sabão se unindo para formar uma outra maior. Essa é a imagem que você deve ter em mente quando eu digo que as duas vesículas se unem. Contudo, as vesículas são formadas por uma membrana, não sabão, apesar de ambas as bolhas serem constituídas por lipídeos. A composição similar é o que me permite fazer uma comparação para o melhor entendimento do processo.

O vacúolo digestório, também denominado lisossomo secundário, recebe esse nome por realizar o processo de digestão intracelular. Isso só é possível porque, dentro de si, encontram-se, ao mesmo tempo, as enzimas digestivas e as partículas de alimento.

Terminado o processo digestório, os nutrientes saem do vacúolo, difundindo-se para o citoplasma. Desta forma, restam apenas os resíduos e, agora, temos um vacúolo residual. O vacúolo residual se aproxima da borda da célula e se une à membrana plasmática, eliminando assim, os excretas para o meio extracelular.

Espero que este conteúdo tenho sido de grande valor para você, pois para mim, o foi. Caso tenha dúvidas sobre qualquer aspecto, deixe nos comentários. Prometo responder todos, assim que possível.

Um grande abraço e bons estudos.

Referências

ALBERTS, B. et al. Biologia molecular da célula. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.

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