Ecologia | Cadeias e Teias Alimentares

outubro 19, 2018

Os relacionamentos entre os seres vivos proporcionam uma ampla gama de comportamentos alimentares que podem ser avaliados através da compreensão de suas cadeias alimentares. O estudo dessas cadeias representa, portanto, uma forma de avaliar as populações de um determinado ambiente quanto à sua dinâmica e composição.

Para compreendermos o funcionamento das cadeias alimentares, precisamos conhecer os níveis tróficos que as compõem. Eles são três e podem ser visualizadas na Figura 1.

Produtores - São organismos autótrofos fotossintetizantes que estão posicionados no início das cadeias alimentares, sendo portanto, a base da mesma, fornecendo energia para os demais níveis. (Ex: Vegetais e Algas).
Consumidores - São organismos heterótrofos, sendo representados essencialmente, por herbívoros e carnívoros. (Ex: Animais).
Decompositores - São organismos heterótrofos saprofágicos, ou seja, que se alimentam de matérias em decomposição. São fundamentais para o equilíbrio ecológico, pois realizam a reciclagem da matéria. (Ex: Fungos e Bactérias).



Figura 1 - Representação de uma cadeia alimentar.
(Fonte: https://bit.ly/2ExILUr).

As cadeias alimentares se caracterizam por um percurso unidirecional, onde cada organismo que a compõe ocupa um único nível trófico. Na figura acima, os produtores são representados pela grama. O gafanhoto, por se alimentar diretamente do produtor, é considerado consumidor primário (CP).

O sapo, por se alimentar do CP, é considerado um consumidor secundário (CS). A cobra, por se alimentar do CS, é um consumidor terciário (CT). A águia, por se alimentar do CT, é um consumidor quaternário (CQ) e, finalmente, os fungos e bactérias, organismos decompositores que atuarão sobre todos os níveis após à sua morte, devolvendo ao ambiente os nutrientes que serão reutilizados pelo produtores. É importante ressaltar que a matéria sempre é reciclada, mas a energia, não.

An example of a food web

Figura 2 - Representação de uma teia alimentar.
(Fonte: https://bit.ly/2ypFRLJ).

As teias alimentares são, por sua vez, um grande conjunto de cadeias, pois os consumidores que as compõem ocupam, ao mesmo tempo, diferentes níveis dentro da teia. Isso ocorre de acordo com a diversificação alimentar dos consumidores (Figura 2). Se analisarmos alguns consumidores da teia alimentar representada na Figura 2, perceberemos os diferentes níveis.

O Krill, por exemplo, ao se alimentar diretamente do fitoplâncton (produtor) passar à ser um CP, mas quanto o Krill se alimenta do zooplâncton, ocupa a posição de CS, pois o zooplâncton é um CP. Desta forma, percebemos que o Krill ocupa, ao mesmo tempo, dois níveis na teia alimentar, o de CP e CS. Essa diversificação se estende para os demais organismos, ampliando a complexidade da teia.

Pirâmides ecológicas

A análise da estrutura populacional de uma cadeia alimentar, avaliando o seu crescimento ou decrescimento, é de fundamental importância para se compreender os desequilíbrios ambientais, ou seja, as poluições.



Figura 3 - Representação de pirâmides ecológicas.
(Fonte: Elaborado pelo autor).

Existem três tipos de pirâmides ecológicas que precisamos dar atenção (Figura 3). A pirâmide Numérica, a de Biomassa e a de Energia.

A pirâmide numérica é construída com base no número de indivíduos, enquanto a de biomassa se baseia na massa corporal dos mesmos e, por isso, é representada por unidades de massa e, a pirâmide de energia, por sua vez, utilizará unidades de energia, tal como cal e Kcal.

As pirâmides da Figura 3 não representam situações reais, pois não possuem proporcionalidade entre os níveis, servindo apenas para demonstrar como se estruturam. O primeiro nível da pirâmide (base) representa os produtores, enquanto os demais níveis se posicionam logo acima, sequencialmente.

Existem duas importantes observações à serem feitas. A primeira dela é a seguinte: Pirâmides de biomassa de ambiente aquáticos são invertidas, ou seja, possuem base estreita e ápice largo. Isso ocorre como consequência do aumento de tamanho dos indivíduos ao longo dos níveis. 



Figura 4 - Pirâmide de biomassa de ambiente aquático.

A base da cadeia alimentar aquática é o fitoplâncton, formado por algas unicelulares. Sendo assim, por mais tenhamos milhões de indivíduos agrupados em um único lugar, eles representarão apenas alguns poucos quilos, possivelmente.

O fitoplâncton alimenta o zooplâncton, formados por larvas de peixes e crustáceos, ou seja, organismos multicelulares e, portanto, com maior massa. Mesmo que o número de indivíduos reduza drasticamente de milhões de produtores para centenas de milhares de CP, o tamanho deles proporciona uma maior massa para o grupo, adquirindo assim, maior representatividade na pirâmide. Esse padrão continua ao longo dos demais níveis, fazendo com que a pirâmide tenha aspecto invertido (Figura 4).

Finalizo, aqui, estre artigo. Espero que ele tenha sido proveitoso para você.

Um grande abraço.


Referências

TOWNSEND, C.R.; BEGON. M.; HARPER, J.L. Fundamentos em ecologia. 3ª Ed. Artmed: Porto Alegre (RS), 2010.  

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