Evolução | DNA e Processo Evolutivo

outubro 30, 2018

Grande parte da população acredita conhecer o real significado da Evolução Biológica, debatendo o tema como se fosse um verdadeiro estudioso do assunto. Contudo, o que se percebe, de fato, é que apenas uma pequena parcela da população compreende o que realmente é o processo evolutivo, tendo um visão mais ampla dos conceitos e processos/fenômenos envolvidos. Percebendo essa dificuldade, este artigo objetiva esclarecer o que realmente significa o processo evolutivo, de forma simples e objetiva, deixando claro o foco da matéria é, e sempre será, a divulgação do conhecimento. Sendo assim, eu lhe pergunto: Você sabe realmente o que é Evolução Biológica?

Primeiramente, precisamos diferenciar os conceitos sociais e biológicos da palavra evolução. Em um contexto social, evolução significa melhoria, crescimento, desenvolvimento pessoal etc. Entretanto, o mesmo não se aplica em um conceito biológico. A evolução biológica nada mais é do que a constatação de um simples fato, as características dos seres vivos podem mudar. Isso mesmo, evolução biológica é sinônimo de mudança de características. Vamos esclarecer um pouco mais isso!

Todos os seres possuem características que os definem enquanto espécies ou tipos de organismos. Essas características, de forma simplificada, são determinadas pelo ADN/DNA (Ácido Desoxirribonucleico / Deoxyribonucleic Acid). Em outras palavras, todas as suas características como: estatura, cor da pele,  tipo de cabelo e, até mesmo, aquelas que não são visíveis, pois estão presentes em suas células, são definidas a partir das informações contidas em seu material genético (DNA).


Figura 1 - Molécula de DNA.

Basicamente, o DNA é formado por moléculas menores denominadas nucleotídeos, que contém uma porção conhecida como base nitrogenada. Essas moléculas são representadas pelas letras A (Adenosina), T (Timina), C (Citosina) e G (Guanina). A forma como as bases se organizam no DNA compõem uma sequência que pode estar diretamente relacionada a produção de uma proteína. Nesse momento talvez você se pergunte: E o que isso tem a ver com evolução? Logo chegaremos lá.

Lembre-se que eu disse que as características são determinadas pelo DNA? Pois é! Essas características nada mais são do que as representações visuais/materiais das proteínas que foram produzidas a partir das informações contidas no DNA. Tendo isso em mente, chegamos em um ponto crucial para o entendimento da evolução biológica.

Foi dito anteriormente que a evolução é pura e simplesmente a mudança de características. Recorda-se? Logo, se o DNA produz proteínas e estas são as características, a mudança de características nada mais é do que a mudança das proteínas. Desta forma, o óbvio talvez já tenha sido esclarecido, caso contrário, vou destacá-lo agora.

O DNA possui uma sequência de bases nitrogenadas e essa sequência é fundamental para se produzir proteínas. Se algo alterar a sequência de bases, existe a possibilidade de haja uma alteração nas proteínas que serão produzidas, ou seja, teríamos uma proteína diferente do padrão anterior. Em outras palavras, teríamos uma característica diferente.

Quando temos uma alteração aleatória na sequência de bases do DNA, a chamamos de mutação. As mutações são raras e, na sua grande maioria, nulas (não altera a produção de proteínas). Contudo, em alguns casos, as mutações afetam sequências importantes do DNA e, consequentemente, alteram as proteínas relativas à região afetada. Neste ponto, se você entende que alterar o código genético pode causar uma alteração das proteínas e, por conseguinte, das características, você é tão evolucionista quanto eu.

Quando Charles Darwin propôs a Teoria da Seleção Natural, ele estava descrevendo uma simples evidência, a de que as características dos seres podem mudar. Darwin não sabia explicar como isso acontecia, até mesmo porque, em sua época estavam começando a descobrir as células, o que dirá ter conhecimento sobre núcleo ou DNA e sua relação com a determinação das características.


Figura 2 – Charles Darwin.

Apesar de não saber como e de onde vinham as caraterísticas, nem como elas se modificavam, Darwin esclareceu o que já lhe parecia óbvio. As características mudam ao longo das gerações como consequência da sobrevivência dos mais aptos. Entenda que apto, significa aqueles que possuem características mais favoráveis para a sobrevivência em um determinado ambiente. Entenda, ainda, o seguinte: Evolução é diferente de Adaptação.

Quando um ser nasce, ele já possui todas as suas características pré-determinadas a partir do seu DNA. Se essas características serão boas ou ruins para a sua sobrevivência, é uma questão de adaptação. Cabe aqui, diferenciar adaptação evolutiva de fisiológica.

A adaptação fisiológica está relacionada às variações de funcionamento dos órgãos e sistemas de um indivíduo, visando uma melhor adequação ao ambiente em que está. Por exemplo, se estivermos em um ambiente quente, os vasos sanguíneos se dilatam, aumentando o fluxo sanguíneo e, assim, eliminam o excesso de calor. Por outro lado, se estivermos em um ambiente frio, os vasos sanguíneos se contraem, reduzindo o fluxo sanguíneo e, consequentemente, a perda de calor.

Existem vários aspectos evolutivos a serem discutidos para se compreender amplamente seu funcionamento. Tendo em vista que este pequeno artigo visa apenas esclarecer o leitor sobre o que significa evolução biológica, os detalhes que regem o fenômeno não serão apresentados aqui, mas certamente o serão em uma publicação futura. Espero imensamente ter lhe auxiliado e caso haja dúvidas ou contribuições, não deixe de participar deixando uma mensagem.

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Bons estudos!


Referências

RIDLEY, M. Evolution. 3ª Ed. Blackwell Publishing: Malden (MA), 2004.
DARWIN, C. A origem das espécies. 1ª Ed. Martin Claret, 2014.

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