Taxonomia | Sistemática e Classificação Biológica

outubro 20, 2018

A taxonomia e sistemática foram desenvolvidas como forma uma de padronização para o processo de classificação e identificação dos seres vivos. Ao longo do tempo, diversas sistemas de classificação foram desenvolvidos, refletindo o nível de conhecimento de cada época. Esse constante desenvolvimento do sistema de classificação demonstra o quão adaptável e complexa por ser a classificação dos seres.

A origem do sistema de classificação

Aristóteles (Figura 1) foi pioneiro no desenvolvimento de um sistema de classificação, tendo utilizado para tal características relativas ao ambiente e às funcionalidades corporais.

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Figura 1 - Aristóteles.
(Fonte: encurtador.com.br/grQ18)

Os animais eram agrupados, por exemplo, como: Aquáticos, Terrestres e Aéreos. Esse tipo de agrupamento possui deficiências notórias. Ao classificarmos os animais com base apenas em seus habitats (Figura 2), estaremos reunindo indivíduos extremamente distintos.

Em um ambiente aquático, por exemplo, teríamos reunidos peixes, mamíferos, aves, anfíbios e muitos outros tipos animais que possuem características muito distintas. Contudo, não podemos criticar Aristóteles por sua tentativa, ele não possuía o conhecimento sobre os grupos de seres vivos que temos hoje. O seu modelo de sistema serviu de base par o desenvolvimento de outros um pouco mais precisos.


Figura 2 - Modelo baseado na classificação de Aristóteles.
(Fonte: Elaborado pelo autor).

Devido a falta de padronização entre os pesquisadores, Carolus Linnaeus (Figura 3) desenvolveu um sistema com a perspectiva de unificar a classificação dos seres. Esse sistema está baseado nas características comuns entre os seres, ou seja, espécies que possuem uma mesma característica participam de um mesmo grupo da classificação.

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Figura 3 - Carolus Linnaeus.
(Fonte: https://bit.ly/2q29VbX).

O sistema de classificação desenvolvido por Lineu ficou conhecido como Systema Naturae. Segundo Lineu, nesse sistema, as características anatômicas são as mais adequadas para se classificar os indivíduos.

Entretanto, Lineu tinha uma perspectiva errônea sobre os seres. Ele acreditava que o número de espécies do planeta era fixo, o que obviamente é contradito atualmente por meio da Especiação. Mas esse é um tema para outro artigo!

O sistema de classificação do Lineu era composto por grupos, as Categorias Taxonômicas. As categorias se organizam como grupo e subgrupos que funcionam como os gerenciadores de arquivos dos computadores atuais.

Quando você procura por um arquivo em particular em seu computador, muito provavelmente o busca dentro de um pastas que está dentro de outra pasta, às vezes possuindo vários níveis. As pastas agrupam arquivos semelhantes ou de mesma temática, o que ocorre de forma exatamente igual com as categorias taxonômicas de Lineu.

A ideia original de Lineu sofreu algumas adaptações, recebendo mais categorias, o que possibilitou mais opções de categorização para a classificação. Diversos subníveis foram inseridos. Contudo, algumas categorias são prioritárias e, por isso, Fixas. As categorias fixas são assim denominadas porque sempre farão parte da classificação de qualquer organismo. Elas podem ser observadas abaixo.

Classificação Taxonômica


Categorias Taxonômicas

Domínio > Reino > Filo > Classe > Ordem > Família > Gênero > Espécie

Subcategorias como: Subfilo, Subclasse, Subordem e muitas outras subcategorias não são obrigatoriamente utilizadas em uma classificação. Elas existem para o caso haver uma necessidade. Por exemplo, digamos que eu possuo dez livros de cinco autores diferentes, mas apenas 3 caixas para guardá-los separadamente. Caso eu queira fazer uma separação adequada da minha coleção, precisarei de mais caixas! Imagine então se eu optar por fazer uma separação baseada também pelas temáticas dos livros, serão necessárias muitas caixas.


Figura 4 - Categorias taxonômicas.
(Fonte: Elaborado pelo autor).

Para que você entenda a importância das categorias taxonômicas, você precisa pensar de forma compartimentalizada, ou seja, cada categoria funciona como uma das caixas do meu exemplo anterior. Uma espécie, em sua classificação, pode utilizar apenas as categorias fixas (que são obrigatórias) ou, ainda, usar outras categorias secundárias afim de tornar a classificação precisa.

Vamos observar a tabela abaixo que exibe as classificações do Homem, do Cão e do Lobo.

Tabela 1 - Classificação taxonômica (homem, cão, lobo e coiote).

Se analisarmos com cuidado, observaremos que o homem, o cão e o lobo compartilham um mesmo Reino, Filo e Classe, o que significa que eles possuem, nesses três níveis, as mesmas características. Em outras palavras, não somos diferentes de um cão até o o nível de classe.

Quando continuamos o processo de classificação, observamos que o homem pertence à ordem Primata, enquanto o cão e o lobo pertencem à ordem Carnivora. Nesse ponto, devemos entender, então, que o homem difere do cão e do lobo, pois possuem características distintas.

Tendo em vista que a classificação do homem segue um rumo independente das demais, vamos dar um atenção aos outros. Cão e lobo possuem uma grande quantidade de características comuns, o que se reflete em uma grande quantidade de categorias taxonômicas em comum. Os dois diferem apenas à nível de Subespécie, ou seja, são de mesma espécie.

Tipos de Domínios e Reinos

Três domínios e cinco reinos podem ser observados nas classificação atuais. Os domínios são: Bacteria, Archaea e Eukarya. O domínio Bacteria engloba o reino Monera que, por enquanto, contêm as bactérias, cianobactérias e as arqueas (antigamente chamadas arqueobactérias). Contudo, exite um problema com essa atual classificação.

As arqueas estão agrupadas com as bactérias em um mesmo reino, apesar de serem de domínios distintos. Isso ocorreu porque, no passado, acreditava-se que esses organismos eram muito próximos as atuais bactérias. Entretanto, estudo posteriores demonstraram que arqueas são mais similares aos eucariontes.


Figura 6 - Domínios, reinos e organismos representantes.
(Fonte: Elaborado pelo autor).

As arqueas estão lá por simples conveniência, pois logo terão seu próprio reino que, por sua vez, estará dentro do domínio Archaea (Figura 6). Apesar livros didáticos ainda não terem se atualizado acerca dessa problemática, logo teremos um sexto reino.

O domínio Eukarya, por sua vez, engloba os demais reinos e, por isso, é o mais diversificado deles. Dentre desse domínio observamos o reino Fungi, dos fungos e leveduras, o Protoctista, dos protozoários e algas, o reino Plantae, dos vegetais, e, finalmente, o reino Animalia, dos animais.

Cada reino possui características básicas que são fundamentais para se definir os padrões necessários para se pertencer ao grupo. O reino Monera se caracteriza pela presença de indivíduos Unicelulares, Procariontes e com alimentação Autotrófica (quimiossintetizante e fotossintetizante) ou Heterotrófica (fermentação).

Os demais reinos são Eucariontes. O reino Protoctista é composto por indivíduos uni ou Pluricelulares de alimentação autotróficas (fotossintetizantes) ou heterotrófica. Os protozoários são unicelulares, enquanto as algas, podem ser uni ou pluricelulares. O reino Fungi também é formado por uni ou pluricelulares, todos de alimentação heterotrófica por absorção.

O reino Plantae ou Metaphyta é composto por organismos Multicelulares e autótrofos fotossintetizantes. O reino Animalia, por sua vez, é composto por multicelulares heterótrofos por ingestão. Essas características básicas diferenciam, assim, os organismos dentro dos cinco reinos.

Sistemática

A sistemática surgiu como uma forma de padronização para o processo de classificação. Definindo regras pelas quais um organismo deve ser classificado e nomeado. Algumas dessas regras são bem simples e serão expostas logo abaixo.

O nome de uma espécie deve sempre estar escrito em Latim - O latim, enquanto língua morta, não está susceptível às mudanças corriqueiras que uma língua ativa sofre, evitando assim, variações bruscas ao longo do tempo que possam afetar a padronização necessária para o procedimento científico.

O nome de uma espécie deve sempre ser composto por duas palavras - A primeira palavra representa o gênero ao qual o espécime pertence e, por isso, deve estar escrito com inicial maiúscula. As segundo palavra corresponde ao Epíteto Específico, palavra que irá definir a espécie. Essa segunda palavra deve estar escrito com inicial minúscula.

O nome da espécie deve sempre estar destacado do contexto, seja em Negrito, Itálico ou Sublinhado. Esse destacamento facilitará a localização do nome da espécie para o leitor. Para entendermos melhor essa composição, vamos à alguns exemplos. Observe os nomes abaixo para compreender a importância do epíteto específico do nome da espécie.

Canis lupus (Lobo)
Canis latrans (Coiote)
Canis familiares (Cachorro).

As três espécies citadas não poderiam ser diferenciadas em suas classificações se não existisse um epíteto específico. As palavras lupus, latrans e familiares servem para definir e, consequentemente, distinguir três espécies pertencentes à um mesmo gênero.

Em algumas situações, o nome da espécie pode se apresentar com três palavras. Isso ocorre porque foram utilizadas categorias taxonômicas à mais em suas classificações. Por exemplo:

Homo sapiens sapiens

A primeira palavra (Homo), iniciada com maiúscula, representa o gênero. A segunda palavra (sapiens) é o epíteto específico, ou seja, é a palavra que define a espécie. A terceira palavra (sapiens), apesar de igual à segunda, é um epíteto diferente, um Epíteto Subespecífico, ou seja, a palavra que irá definir a subespécie.

Nem sempre a terceira palavra será um epíteto subespecífico e nem sempre será igual ao epíteto específico. Isso não é uma regra, simplesmente foram utilizadas palavras iguais na nossa classificação. Contudo, vejamos um outro exemplo.

Camponotus (Myrmobrachys) cingulatus

A espécie citada acima corresponde à uma formiga. Perceba que a primeira palavra está com inicial maiúscula e, portanto, representa o gênero. Já a segunda, está iniciada com maiúscula e entre parênteses. Essa palavra representa o Subgênero, categoria logo abaixo de gênero e, por isso, foi representada entre parênteses e com inicial maiúscula. A terceira palavra é o epíteto específico. Desta forma, temos um nome de espécie composto por três palavras.

A existência de uma terceira palavra não fere essencialmente a primeira regra de nomenclatura, pois, no exemplo acima, está apenas sendo exibido o subgênero. A espécie continua sendo Camponotus cingulatus.

Bem, com essas informações encerro esse artigo. Espero ter auxiliado nos seus estudos.

Um grande abraço.


Referências

AMABIS, J.M.; MARTHO, G.R. Biologia: biologia dos organismos. 3ª Ed., vol. 2. Moderna: São Paulo, 2009.

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