Zoologia | Ciclostomata e Pisces

outubro 01, 2018

Os agnatos ou ciclostomados são assim denominados por não possuírem mandíbula, como consequência, possuem uma boca circular. Como representantes desses animais, destacam-se as lampreias e feiticeiras (“peixe-bruxa”). Esses cordados são considerados os antepassados mais próximos dos peixes atuais e, apesar da grande semelhança, são grupos distintos.


Figura 1 - Peixe-leão.

Os peixes, por outro lado, são detentores de mandíbula (gnatostomados), característica que representou um grande avanço adaptativo para esses organismos, pois facilitou a captura de presas e, consequentemente, uma melhor digestão do alimento devido à mastigação.


Figura 2 - Anatomia externa da lampreia.
(Autor: LadyofHats).

Os registros fósseis indicam que o surgimento da mandíbula nos peixes ocorreu como consequência do superdesenvolvimento dos dois primeiros arcos branquiais de seus antepassados,resultando em peixes com 5 pares de brânquias, ao invés dos 7 pares observados nos ciclostomados.

Os ciclostomados, assim como os peixes, são aquáticos, podendo ser de vida livre ou parasitária. Nos peixes, existe a separação de dois grupos baseada no tipo de esqueleto que possuem, os Osteichthyes (peixes ósseos) e os Chondrichthyes (peixes cartilaginosos).

A presença de um esqueleto cartilaginoso em algumas espécies promove uma locomoção com maior flexibilidade. Essa flexibilidade pode ser observada na natação de tubarões, raias e quimeras.


Figura 3 - Anatomia interna de tubarão.
(Fonte: http://reeflifeapps.com/)

Além do esqueleto cartilaginoso, os tubarões possuem estruturas muito peculiares. Neles, observamos a presença da válvula espiral, estrutura em forma de parafuso presente no interior do seu intestino e que melhora a capacidade de absorção.

Na extremidade do focinho, os tubarões possuem poros que levam à estruturas denominadas ampolas de Lorenzini. Essas estruturas são sensoriais, sendo sensíveis às pequenas variações de cargas elétricas emitidas pelo corpo dos peixes. Um outro tipo de estrutura sensorial é a linha lateral, um conjunto de células capazes de perceber alterações de pressão na água, sendo muito comuns em peixes ósseos.

Nos condríctes, observamos ainda, escamas placoides (dermoepidérmicas) que possuem a mesma composição dos dentes, ou seja, é formado por camadas de esmalte, dentina e polpa (nervos e vasos sanguíneos). No mais, os peixes cartilaginosos possuem como padrão uma boca posicionada na região ventral e uma nadadeira caudal heterocerca, com extremidades de tamanhos diferentes.
Figura 4 - Anatomia interna de peixe ósseo.
(Fonte: Wikipedia)

No que diz respeito aos peixes ósseos, eles possuem um boca localizada na extremidade do corpo e, por isso, é denominada como terminal. A nadadeira caudal possui extremidade de mesmo tamanho, sendo conhecida como homocerca. Esses animais possuem, ainda, um estrutura que permite a sua movimentação na água sem que eles precisem nadar, ou seja, um órgão hidrostático, a bexiga natatória.

Em algumas espécies, a bexiga natatória está conectada à faringe dos animais, permitindo que esses peixes captem ou liberem gases pela boca. Os peixes que possuem esse canal de comunicação são denominado como fisóstomos, enquanto os que não o possuem são denominados como fisóclistos. Nestes últimos, as trocas gasosas com a bexiga ocorrem por meio da circulação sanguínea do animal.
A bexiga natatória é tão desenvolvida em algumas espécies, que os seus detentores a utilizam como órgão respiratório, um pulmão. Os peixes pulmonados são melhor conhecidos como dipnoicos, e devido à essa característica, podem permanecer fora d’água por longos períodos.


Figura 5 - Tipos de escamas em peixes.
(Fonte: Encyclpaedia Britannica, Inc.)

Os peixes ósseos possuem escamas dérmicas, com formato cicloide, ganoide ou ctenoide, dentre outros tipos. Em todos os casos, as escamas se apresentam como uma proteção, além de promoverem uma vantajem hidrodinâmica aos peixes. Atuando juntamente com as escamas, existem glândulas de muco que os tornam escorregadios. Essas característica também favorece o deslocamento na água.

Como dito anteriormente, alguns peixes possuem respiração pulmonar. Contudo, a grande maiores deles se utiliza de uma respiração branquial. Para que a respiração ocorra, a água deve entrar pela boca do animal e, em seguida, ser direcionada às brânquias para que estas possam realizar as trocas gasosas.


Figura 6 - Respiração branquial de peixes.
(Fonte: http://www.herebeanswers.com/)

O coração dos peixes bombeia sangue venoso para as brânquias que, por difusão, liberam o CO2 e absorvem da água o O2, caracterizando assim, a troca. Quando o sangue retornar ao corpo do animal, ele estará oxigenado (arterial). Vale lembrar que o coração de peixes possui duas cavidades (1 átrio ou aurícula e 1 ventrículo), sendo de circulação simples e fechada (Figura 6).



Figura 7 - Coração bicavitário de peixes.
(Fonte: Life - The Science of Biology).

Além do seu objetivo principal, que é realizar a respiração, as brânquias também auxiliam no equilíbrio osmótico do animal, absorvendo ou eliminando o excesso de sais do seu corpo. Na excreção de peixes, podemos observar espécies que eliminam amônia, ureia ou ácido úrico.

No que diz respeito à reprodução, os peixes o fazem sexuadamente, com fecundação interna ou externa e com desenvolvimento direto ou indireto. Os peixes cartilaginosos possuem um desenvolvimento direto e fecundação interna, enquanto nos peixes ósseos ela é indireta e externa.

A maioria dos peixes são ovulíparos, ou seja, liberam seus gametas na água. Contudo, os condríctes podem ser ovíparos, ovovivíparos ou vivíparos. Os ovíparos são aqueles que põem ovos. Os ovovivíparos são os que gestacionam ovos e, os vivíparos, são aqueles que gestacionam suas crias em úteros.

Os tubarões machos possuem uma estrutura especial que lhes permite uma melhor transferência de esperma durante a cópula, os claspers. Essas estruturas nada mais são do que nadadeiras modificadas para a reprodução.

Classificação de peixes

Teleostomi - peixes com boca terminal.
Osteichthyes - peixes ósseos.
Sarcopterygii - peixes com nadadeiras lobadas.
Actinopterygii - peixes com nadadeiras raiadas.
Chondrichthyes - peixes com boca sub-terminal ou ventral.
Bathoidea - Ex: Raias.
Selachimorpha - Ex: Tubarões.

Finalizamos, aqui, mais um artigo. Os peixes são extremamente diversificados e muitas características poderiam ser abordadas. Contudo, tentei reunir aqui o que considero essencial para seus estudos. Aproveite!

Bons estudos.


Referência

POUGH, F. H. et alA vidas dos vertebrados. 4ª Ed. São Paulo: Atheneu, 2008.

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