Zoologia | Morfologia de Insetos

outubro 28, 2018

Os insetos possuem uma grande variedade de estruturas corporais que se reflete em um incrível diversificação de formas e tamanhos. Neste artigo, abordaremos essa diversidade, expondo alguns dos tipos e funcionamentos dos aparelhos bucais, tipos de antenas, asas e pernas.


Figura 1 - Anatomia externa da cabeça de um inseto.
(Fonte: https://bit.ly/2OgnQow).

Comecemos nossa descrição com os tipos de aparelhos bucais dos insetos, os quais são formados por uma série de estruturas denominadas Apêndices Bucais que possuem sensoriais e mecânicas relacionadas à alimentação.

Tipos de aparelho bucal

Mastigador - Possui mandíbulas, estruturas adaptadas ao corte e que podem ser superdesenvolvidas (Figura 1).



Figura 2 - Aparelho bucal sugador labial não-pungitivo (A) e pungitivo (B).
(Fonte: https://bit.ly/2qfgOXv).

Sugador - Possui uma Probóscide, tubo formado pela união de duas peças maxilares modificadas. Esse aparelho pode ser Não-pungitivo (Figura 2A) ou Pungitivo (Figura 2B), ou seja, não-picador ou picador.

Lambedor - Possui as estruturas maxilares adaptadas para a ingestão de líquido (Figura 4).



Figura 4 - Abelha em alimentação.
(Fonte: https://bit.ly/2CKBxK6).

Os aparelhos bucais picadores são observados entre as espécies parasitas, sejam de animais ou vegetais. A probóscide com um formato tubular é perfeita para realizar a penetração nos tecidos do hospedeiros. Como exemplo, podemos citar os mosquitos e os percevejos, organismos da ordem Diptera e Hemiptera.

O aparelho lambedor poder ser tipicamente observado em abelhas, organismos da ordem Himenoptera. Esse aparelho pode, ainda, ser comumente denominado como Mastigador-Lambedor, dada a presença de mandíbulas.

Tipos de antenas

As antenas são estruturas sensoriais incríveis (Figura 5). Elas possuem diferentes formatos e tamanhos que refletem o estilo de vida do animais que as possuem. Quando falo em sensorial, o leitor deve possuir em mente que as antenas podem possuir função Tátil, Olfativa e Auditiva. 



Figura 5 - Morfologia das antenas de insetos.
(Fonte: https://bit.ly/2z9G3hR).

Essas incríveis funcionalidades permitem um alto nível de comunicação entre os indivíduos. Tal comunicação pode ser observada entre formigas. Quando se encontram, o contato com o outro indivíduo permite o reconhecimento químico que informará se são, ou não, de mesmo ninho (Figura 6).



Figura 6 - Comunicação entre formigas.
(Fonte: https://bit.ly/2CLB8qT).

Os segmentos que formam as antenas são denominadas Antenômeros. A quantidade de antenômeros, bem como o seu formato, tamanho e pilosidade, é utilizado para se realizar a identificação e classificação das espécies.

Tipos de pernas

As pernas dos insetos possuem com função primordial a locomoção, obviamente. Contudo, várias adaptações/modificações são observadas aos diferentes estilos de locomoção. Algumas pernas estão adaptadas para a natação, outras para o salto, algumas para apreender presas, enquanto outros são para cavar (Figura 7). Essas funções demonstram a versatilidade dessas estruturas.



Figura 7 - Morfologia das pernas dos insetos.
(Fonte: https://bit.ly/2OVA0bh).

As pernas de insetos também estão relacionadas às funções sensoriais, possuindo Setas (estruturas que lembram pelos) longas que objetivam ampliar a percepção do ambiente ao seu redor, visando principalmente a captura presas. Podemos observar essa funcionalidade em insetos/artrópodes que vivem em ambientes de cavernas. Esses ambientes possuem pouca luminosidade e, por isso, os animais possuem longas estruturas sensoriais.

Tipos de asas

Apesar das asas serem obviamente para o voo, os insetos conseguiram desenvolver incríveis funcionalidades extras. Algumas asas até mesmo perderam sua função principal, tendo sido adaptadas para proteção, para a realização de manobras durante o voo e, novamente, uma função sensorial (Figura 8).


Figura 8 - Asas franjadas, membranosas, halteres, élitro, hemiélitro e tégmina.
(Fonte: https://bit.ly/2zdLlc2).

Devemos lembrar uma característica importante sobre as asas. Sempre haverá dois pares delas. Contudo, não significa que ambas sejam funcionais no voo. As asas podem ser classificadas em Membranosas, Élitro, Halteres, Hemiélitro, Tégmina e Franjadas.

Membranosas - São adaptadas ao voo, sendo finas e delicadas, coloridas ou transparentes, além de possuírem nervuras bem evidentes. Ex: Borboletas.

Élitro - São adaptadas à proteção e, por isso, são rígidas. Esse tipo de asa corresponde ao primeiro dos dois pares existentes. O segundo é membranoso e fica dobrado sob o primeiro, protegido. Ex: Besouros.



Figura 9 - Asas membranosas, élitro e hemiélitro.
(Fonte: https://bit.ly/2DcIOn0).

Halteres - Correspondem ao segundo par de asas. São atrofiadas e, por isso, não servem para o voo. Devido o seu formato específico, são utilizadas para realizar manobras durante o voo. Ex: Moscas.

Hemiélitro - São rígidas, tal qual as asas do tipo élitro. Contudo, são parcialmente membranosas. Apenas metade ou dois terços das asas é rígido. Ex: Percevejos.



Figura 10 - Asas membranosas e hemiélitro.
(Fonte: https://bit.ly/2yCfHFY).

Tégmina - São similares às asas membranosas. Contudo, são mais longas e estreitas com textura mais grossa. Ex: Gafanhotos.

Franjadas - São alongadas e com longo pelos projetados lateralmente. Não servem para voar. Os indivíduos que as possuem são terrestres e, ao caminhar pelo solo, utilizam as asas como ferramenta sensorial. Ex: Tisanóptera.

Quando os insetos possuem os dois pares de asas membranosos, eles devem trabalhar em harmonia para um bom desempenho durante o voo. Algumas espécies possuem sistemas de acoplamento entre o primeiro e segundo par de asas para que elas possam trabalhar em sincronia. Esses acoplamentos são conhecidos como Frênulo e Jugum.



Figura 11 - Acoplamento frênulo e jugum.
(Fonte: https://bit.ly/2yGzVy2).

No frênulo, as asas se articulam por meio de um tufo de cerdas enquanto no jugum se utiliza de um acoplamento semelhante à um clipe, ou seja, uma se encaixa em uma fenda da outra. Contudo, existem espécies que não utilizam acoplamento de suas asas, como é o caso das libélulas, organismos da ordem Odonata. Seus pares de asas trabalham independentemente, o que permite uma grande versatilidade durante o voo. Essas variações demonstram o alto nível de adaptabilidade dos insetos.

Desta forma, termino aqui esse artigo, bem como a série sobre artrópodes. Tenho que ressaltar minha satisfação em escrevê-los, pois sou apaixonado por entomologia. Espero que você tenha gostado. Se assim o for, deixe seu LIKE e COMPARTILHE com amigos.

Bons estudos!

Referências

RUPPERT, E.E; BARNER, R. D. Zoologia dos Invertebrados. 6ª Ed. São Paulo: Roca, 1996.

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