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Zoologia | Phylum Cnidaria

Os cnidários, também conhecidos como celenterados, são animais aquáticos de vida livre com tecidos verdadeiros e que possuem tamanhos, cores e formas diversas. Podem ser representados pelas anêmonas-do-mar, medusas, águas-vivas e obélias. Esses animais são conhecidos pela sua incrível capacidade urticante, relacionada principalmente aos tentáculos, que possuem células específicas denominadas cnidócitos ou cnidoblastos.


Fígura 1 - Água-viva. 
(Fonte: https://goo.gl/rQZo8Z).

Os cnidócitos possuem em seu interior uma substância urticante denominada nematocisto, um filamento espiralado que será injetado na pele de suas presas quando acionado pelo contato. O acionamento do cnidócito ocorre por meio de um sistema de “gatilho” formado por um cílio, o cnidocílio (Figura 2). 


Figura 2 - Cnidócito em repouso e acionado.
(Fonte: Life - The Science of Biology - 7ª Ed.).

O contato com o cnidocílio causa a eversão do conteúdo do cnidócito, que é formado pelo estilete, espinhos e nematocisto. Os dois primeiros irão permitir a penetração nos tecidos da presa, enquanto o terceiro irá promover o efeito urticante.

Os celenterados possem duas formas básicas, uma polipoide (séssil/fixa) e outra medusoide (móvel/natante). Apesar de serem visualmente distintas, as duas formas possuem uma mesma estruturação básica (Figura 3).


Figura 3 - Formas polipoide e medusoide.
(Fonte: Life - The Science of Biology - 7ª Ed.).

A forma polipoide possui um aspecto coluna, com a boca e os tentáculos voltadas para cima, enquanto a forma medusoide, as possui voltada para baixo. Duas camadas de tecidos podem ser observadas nesses animais, separadas por uma camada gelatinosa, a mesogléia. A camada mais externa é a epiderme, originada da ectoderme embrionária. A mais interna, é a camada da gastroderme, originada da endoderme. A presença desses dois tecidos embrionários os define como organismos diblásticos.

É na epiderme onde estão localizados os cnidócitos, enquanto na gastroderme podem ser encontradas células secretoras de enzimas digestivas, pois fazem parte da cavidade digestória incompleta do animal, pois só possui uma entrada, que é a mesma saída. Os cnidários são, por isso, considerados protostômios, ou seja, durante o desenvolvimento embrionário formam primeiro a boca.


Figura 4 - Sistema nervoso difuso (a) e centralizado (b).
(Fonte: Life - The Science of Biology - 7ª Ed.).

O sistema nervoso dos celenterados é difuso, ou seja, não possui centralização. Essa característica afeta diretamente a simetria corporal do animal, sendo ele, por isso, de simetria radial, quando o corpo possui vários eixos de simetria.

Na Figura 3, podemos observar um comparativo de um sistema nervoso difuso (anêmona) e outro centralizado (minhocas). Perceba que a minhoca possui simetria bilateral, ou seja, um único eixo de simetria, assim como nós.

A bilateralidade corporal é consequência direta da centralização do sistema nervoso, pois este promoveu um processo de cefalização, a formação de uma cabeça. Apesar dos cnidários terem sido os primeiros a apresentar sistema nervoso e digestório, eles não possuem sistemas circulatório, respiratório, excretor e reprodutor.

A mesogléia, devido sua característica fluída, promoverá a distribuição de gases e nutrientes, compensando assim, a ausência de sistemas respiratório e circulatório, respectivamente. A respiração é cutânea, ou seja, realizada na pele do animal.

A excreção, bem como os gases da respiração, é realizada por difusão e a reprodução pode ser assexuada ou sexuada. Na reprodução assexuada, temos o brotamento e a estrobilização. A sexuada é realizada por meio da fusão de gametas.


Figura 5 - Estrobilização e brotamento.
(Fonte: Life - The Science of Biology - 7ª Ed.).

No brotamento, temos a multiplicação celular em um ponto específico do corpo do indivíduo, promovendo assim, a formação de um novo cnidário geneticamente idêntico ao seu genitor. O broto formado pode permanecer conectado ao corpo do genitor, formando uma colônia, ou se destacar e viver isoladamente.

No processo de estrobilização, o corpo do cnidário polipoide se fragmenta. Cada fragmento é um estróbilo e cada estróbilo formará uma medusa jovem, denominada éfira. Ao atingirem a fase adulta, as medusas machos e fêmeas, produzidas por diferentes indivíduos, liberam seus gametas na água para iniciar a reprodução sexuada.

Na reprodução sexuada, a fertilização é cruzada e externa, e o desenvolvimento é direto ou indireto. Apesar de não existir sistema reprodutor, células germinativas do corpo do animal se diferenciam em gametas masculinos e femininos. No caso das medusas, a fecundação irá formar uma larva plânula que, após se fixar no substrato, irá sofrer metamorfose para alcançar a fase adulta.

Em algumas hidras, os espermatozoides formados são liberados na água e nadam até a hidra fêmea mais próxima, o que as caracteriza como animais dioicos. O espermatozoide penetra no óvulo que está localizado na parede externa do corpo do animal, fecundando-o. Em seguida, o embrião se desprende do corpo da fêmea, dando origem a uma nova hidra independente.

Alguns celenterados possuem capacidade de reprodução por metagênese, também denominada alternância de gerações. Nesses casos, uma geração se reproduz de forma assexuada e a geração seguinte, o faz obrigatoriamente de forma sexuada (Figura 5). As medusas sempre representam a fase sexuada do ciclo, pois se reproduzem por meio de gametas.

Classificação dos cnidários

Das várias classes de cnidários existentes, vamos nos concentrar em três muito comuns.

Classe Anthozoa - Formada por cnidários polipoides. Ex: Anêmonas-do-mar e corais.

Classe Sciphozoa - Constituída por formas medusoides. Ex: Medusas.

Classe Hydrozoa - Formada por polipoides e medusoides. Ex: Hidras.

Finalizo aqui mais um artigo. Qualquer dúvida, curiosidade ou informação que, por ventura, não esteja contemplada aqui, deixe-a nos comentários. Responderei assim que possível.

Um grande abraço e bons estudos.

Referências

RUPPERT, E.E; BARNER, R. D. Zoologia dos Invertebrados. 6ª Ed. São Paulo: Roca, 1996.

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