Zoologia | Phylum Mollusca

outubro 06, 2018

Os moluscos são organismos muito diversificados, ocupando ambientes terrestres e aquáticos, sejam eles marinhos ou dulcícolas. Tendo em vista essa diversificação de ambientes, os moluscos desenvolveram diferentes estratégias de sobrevivência, diferentes adaptações.


Figura 1 - Conchas de moluscos. 
(Fonte: https://goo.gl/CytJ7z).

Como caracterização geral, os moluscos são conhecidos por possuírem corpo mole, podendo ou não possuir uma concha que, por sua vez, pode ser interna ou externa quando presente. No que diz respeito às características embrionárias, os moluscos são animais triblásticos celomados e protostômios.
Figura 2 - Molusco gastrópode com concha externa
(Fonte: https://goo.gl/ok6c5q).

O corpo deles é dividido em três partes básicas: cabeça, pé e massa visceral. Na cabeça, existem tentáculos, estruturas sensoriais, o pé pode possuir um formato de sola, de tentáculos ou, ainda, de machado. A massa visceral corresponde à toda a massa de órgãos internos do animal, normalmente localizada no interior da concha.

Os diferentes formatos de pé dos moluscos estão diretamente relacionados ao modo de vida de cada espécie. Os animais com pé em forma de sola (Figura 2) são rastejantes, os gastrópodes (Ex: Caracóis, Caramujos, Lesmas e Nudibrânquios) e, no caso dos indivíduos terrestres, deixam visivelmente um rastro de muco por onde passam. Esse muco é produzido por glândulas podais, pois se localizam na região do pé. 

Os moluscos com pé em forma de tentáculos são conhecidos como cefalópodes (Ex: Polvos, Lulas e Nautilus). Seus tentáculos possuem ventosas que auxiliam na fixação e captura de presas. Os polvos são octópodes, ou seja, possuem oitos tentáculos (Figura 3).


Figura 3 - Molusco octópode - Polvo.
(Autor: Comingio Merculiano 1845-1915, Fonte: Wikipedia).

Na anatomia interna de moluscos podemos observar uma grande variedade de estruturas. Esses animais possuem sistema circulatório aberto ou fechado (cefalópodes), um sistema excretor formado por rins metanefros, um sistema digestório completo e uma reprodução sexuada, podendo ser monoicos ou dioicos.

O fato de existirem moluscos hermafroditas não significa que eles realizam autofecundação, muito pelo contrário, os moluscos possuem fecundação cruzada, podendo ser interna ou externa. As espécies de fecundação externa são aquáticas e possuem desenvolvimento indireto (larva trocófora), enquanto nas terrestres é direto.

O ambiente influencia, ainda, no tipo de respiração que esses animais possuem. Os moluscos terrestres são detentores de respiração pulmonar, enquanto os aquáticos possuem respiração branquial. A dita respiração pulmonar é realizada pela cavidade paleal, também denominada cavidade do manto.

Uma outra características interessante a ser destacada, e que ocorreu em gastrópodes, foi a rotação da massa visceral no sentido anti-horário. Não existe, ainda, uma explicação definitiva sobre esse fenômeno, mas é sabido que o mesmo não está relacionado com a espiralização da concha, pois os registros fósseis demonstram que isso ocorrem bem antes da alteração de posição da massal visceral. Como consequência dessa rotação, o ânus está posicionado na região anterior do corpo do animal, próximo à cabeça (Figura 4).



Figura 4 - Anatomia interna de gastrópode. (Autor: AI2). 1-concha, 2-fígado, 3-pulmão, 4-ânus, 5-poro respiratório, 6-olho, 7-tentáculo, 8-gânglios cerebrais, 9-ducto salival, 10-boca, 11-esôfago, 12-glândula salival, 13-poro genital, 14-pênis, 15-vagina, 16-glândula mucosa, 17-oviducto, 18-saco de dardos, 19-pé, 20-estômago, 21-rim, 22-manto, 23-coração e 24-vasos deferentes.

O manto é camada de tecido mais externa que compõe o corpo do animal, sendo responsável pela formação da concha. Nos moluscos terrestres com concha, a região do manto próximo à abertura da mesma sofre um dobramento, formando assim, a cavidade paleal. Como essa cavidade e ricamente vascularizada, ele é responsável pela realização das trocas gasosas, tal qual um pulmão. Nos indivíduos aquáticos, a cavidade paleal comporta as brânquias.

As brânquias podem possuir uma funcionalidade extra em alguns moluscos, os bivalves (Ex: Ostras e Mexilhões). Esses animais são filtradores, eles possuem um sifão inalante, por onde a água entra no corpo no animal, e um sifão exalante, por onde eliminam a água.

Quando a água realiza seu percurso, entrando e saindo do corpo do animal, ela desempenha importantes funções. A primeira, e mais óbvia, está relacionada à oxigenação, enquanto a segunda se relaciona à alimentação. A água traz consigo partículas de alimento que serão capturadas pelas lamelas branquiais.


Figura 5 - Anatomia interna de bivalve.
(Fonte: https://goo.gl/j6FNPs).

As partículas de alimento capturadas pelas brânquias são então direcionadas até a boca do animal, onde serão ingeridas e, consequentemente, digeridas. Após a digestão, as fezes são eliminadas próximo ao sifão exalante, para que possam ser levadas para fora do corpo juntamente com o fluxo de água.

Diversos outros grupos de moluscos poderiam ser abordados neste artigo. Contudo, os três grupos citados já proporcionam uma quantidade de características suficientes para os estudos do grupo. Sendo assim, finalizo aqui essa temática. Caso alguma dúvida ou curiosidade surja, não hesite em deixar um comentário.

Bons estudos.


Referência

RUPPERT, E.E; BARNER, R. D. Zoologia dos Invertebrados. 6ª Ed. São Paulo: Roca, 1996.

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