Zoologia | Phylum Nemathelminthes

outubro 07, 2018

Os nematódeos são vermes de corpo cilíndrico e extremidades afiladas, um corpo fusiforme, com vida livre ou parasitária. As formas de vida parasitária são especialmente estudadas tendo em vista a sua grande propagação na espécie humana, sendo causadores de doenças muito conhecidas, as verminoses.

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Figura 1 - Nematódeos.
(Fonte: https://planetabiologia.com/).

Esse animais possuem corpo cilíndrico graças a presença de uma cavidade com líquido, o pseudoceloma. Por serem triblásticos pseudocelomados, esses animais utilizam o pseudoceloma como esqueleto hídrico, pois irá conferir sustentação e forma ao seu corpo. 

No que se refere ao modo de vida, grande parte dos nematódeos são parasitas intestinas. Contudo, algumas espécies possuem a capacidade de se instalar em vasos sanguíneos e linfáticos dos hospedeiros.

Os hospedeiros adquirem parasitas intestinais pela ingestão de ovos do verme, enquanto os parasitas sanguíneos e linfáticos são adquiridos por meio de um inseto vetor, um hospedeiro intermediário hematófago, pois se alimenta de sangue.

Os ovos dos parasitas intestinais, quando ingeridos, liberam suas larvas no estômago. Estas conseguem sobreviver à acidez estomacal graças à presença de uma camada protetora, a cutícula, estrutura que recobre a epiderme do animal.


Figura 2 - Esquematização da anatomia de um nematódeo.
(Fonte: https://goo.gl/3qcVtG).

Os nematódeos são organismos com sistema digestório completo, sendo o primeiro grupo dos nossos artigos zoológicos à apresentar tal característica. Eles possuem respiração cutânea e não possuem sistema circulatório. Possuem, ainda, um sistema nervoso centralizado, formado por um anel periesofagiano, em outras palavras, um anel nervoso ao redor do esôfago (Figura 2).

A centralização do sistema nervoso induz uma simetria bilateral no corpo do animal. Eles possuem um sistema excretor formado por túbulos H, pois é formado por dois longos tubos localizados nas laterais do corpo do animal e que se conectam na porção anterior, lembrando o formato de uma letra agá (H).


Figura 3 - Anatomia interna em corte transversal de nematódeo.
(Fonte: https://goo.gl/fp3sxL).

Os canais excretores são comuns em espécies terrestres, podendo estar associados à glândulas excretoras que estão localizadas na região anterior do corpo do animal. No corte transversal de nematódeo (Figura 3), podemos observar todo o conjunto de órgãos que eles possuem.

No centro da Figura 3, observamos a presenta do sistema digestório. Acima e abaixo dele, observamos o ovário e o útero, respectivamente. No centro da região dorsal e ventral, existem os nervos longitudinais e, nas linhas medianas, esquerda e direita, existem os canais excretores que formam os túbulos H. Distribuídos perifericamente, logo abaixo da epiderme do animal, existe uma camada de músculos longitudinais conectados aos nervos dorsal e ventral do sistema nervoso.


Figura 4 - Cópula entre nematódeos.
(Fonte: https://goo.gl/1TjqLo).

No que diz respeito à reprodução. Os nematódeos são animais dioicos de fecundação cruzada e interna, além de possuírem um desenvolvimento indireto. O sistema reprodutor é formado por testículos e ovários. 

Durante a cópula, o macho envolve o corpo da fêmea, abraçando-a (Figura 4) e, em seguida, penetra em seu orifício genital com as espículas copulatórias, estruturas que irão facilitar a transferência dos espermatozoides.

Quando os vermes adultos copulam, dentro do intestino do hospedeiro, produzem milhares de ovos diariamente. Os ovos serão liberados juntamente com as fezes do hospedeiro. Em algumas espécies, os ovos podem eclodir no ambiente externo, liberando as larvas. Em outras, as larvas permanecem nos ovos até serem ingeridas por um hospedeiro.


Figura 5 - Filariose.
(Fonte: https://goo.gl/s28TdJ).

Na filariose (Figura 5), a espécia Wuchereria bancrofti invade o corpo do hospedeiro com o auxílio do inseto vetor, o Culex quinquefasciatus. O mosquito hematófago pica o hospedeiro e transmite para sua corrente sanguínea as larvas do parasita.

As larvas migram pela corrente sanguínea e linfática do hospedeiro, atingem a fase adulta e se reproduzem, formando microfilárias que irão, gradativamente, entupir os vasos linfáticos, interrompendo o fluxo da linfa e, assim, causando o acúmulo de líquidos, tornando-se perceptível com o inchaço nas pernas, típico da doença.

Quando um novo mosquito se alimentar do sangue de um hospedeiro infectado, irá contrair microfilárias. Estas passarão por sucessivos estágios larvares e migrarão para as glândulas salivares do mosquito, aguardando que este realize uma nova alimentação para que possam, assim, infectar um novo hospedeiro.


Figura 6 - Ancilostomose.
(Fonte: https://goo.gl/XZKHyB).

Na ancilostomose (Figura 6), os ovos liberados juntamente com as fezes do hospedeiro eclodem no solo, liberando as larvas infectantes. Essas larvas, pertencentes à espécie Ancylostoma duodenale, conseguem penetrar em um novo hospedeiro através da pele, o que pode ser evitando com a utilização de calçados.

Dentro do corpo do hospedeiro, as larvas migram pela corrente sanguínea até o intestino do hospedeiro, passando antes por vários órgãos. No intestino, as larvas alcançam a fase adulta e copulam, liberando ovos, fechando assim, o ciclo.

Dentre os órgãos visitados pelas larvas, destacamos o fígado, o estômago, o coração e os pulmões. Neste último, as larvas rasgam os capilares e alvéolos, subindo pelas vias aéreas (bronquíolos, brônquios e traqueia) até a glote, onde se comunica com o esôfago. As larvas passam, então, para o sistema digestório, descendo em direção ao intestino.

Para evitarmos verminoses como esta, devemos sempre mandar uma boa higiene pessoal, lavando as mãos e os alimentos antes das refeições. As prefeituras devem manter um bom sistema de saneamento básico, evitando a eliminação de dejetos humanos ao ar livre. Medida preventivas como estas, assim como a utilização de vermífugos ao menos duas vezes ao ano, são ação importantíssima para a manutenção da saúde coletiva.

Finalizo, aqui, este pequeno artigo que traz importantes informações sobre as características dos vermes nematódeos, bem como sobre os seus ciclos vitais. Espero que esse material seja valoroso em seus estudos.

Qualquer dúvida ou informação extra, deixe um comentário abaixo. Bons estudos.

Um grande abraço.


Referências

RUPPERT, E.E; BARNER, R. D. Zoologia dos Invertebrados. 6ª Ed. São Paulo: Roca,1996.

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