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Zoologia | Phylum Porifera

Iniciaremos, agora, uma série de artigos sobre as características zoológicas presentes nos diferentes filos animais. Os estudos sobre os diversos grupos irão abordar, de forma geral, o a etologia, a anatomia e a fisiologia desses animais. Para tal, começaremos com os poríferos, grupo constituído pelas esponjas-do-mar.

Dentre as características gerais de poríferos, destaca-se a primitividade em relação aos demais grupos animais. Os poríferos foram agrupados no subreino Parazoa, enquanto os demais estão no subreino Eumetazoa.

Essa distinção se dá como consequência de uma característica importantíssima, a presença de tecidos verdadeiros. Como dito acima, os poríferos são animais primitivos, pois, apesar serem multicelulares e de alimentação heterótrofa, como os demais grupos do reino Animalia, eles não possuem, entre as suas células, um interação capaz de formar tecidos, órgãos ou sistemas. Isso mesmo! Elas não possuem nenhum sistema.


Figura 1 - Esponja-do-mar.
(Fonte: https://goo.gl/Hsavnd).

As esponjas-do-mar do não possuem os sistemas nervoso, circulatório, respiratório, digestório, reprodutor etc., o que não significa que não possuam a capacidade de se alimentar, respirar ou reproduzir. As esponjas-do-mar (Figura 1) representam uma incrível fase transitória, entre as formas de vida unicelulares e pluricelulares.

Elas representam, enquanto descendentes dos primeiro multicelulares, formas de vida muito rudimentares que realizaram um importante avanço evolutivo, mas que não se especializaram o suficiente para formar os sistemas. Mas, então, como eles respiram e se alimentam? Como se reproduzem?

Os poríferos são animais aquáticos filtradores, na sua maioria marinhos. A capacidade de filtrar a água corresponde ao método pelo qual elas conseguem alimento. Para que a filtração ocorra, é necessário que o animal crie um fluxo de água (Figura 2) que passe pelo seu corpo. Isso é possível graças à um tipo específico de célula, o coanócito.


Figura 2 - Fluxo de água no corpo dos poríferos.
(Fonte: Life - The Science of Biology).

Os coanócitos possuem flagelos e se localizam no interior da espoja-do-mar, em uma cavidade denominada átrio ou espongiocele. O batimento dos milhares de flagelos cria um fluxo de água, que entra no corpo do animal pelos poros ou óstios, e sai pela abertura em seu topo, denominada ósculo. À medida que a água percorre seu caminho, inevitavelmente, carrega consigo partículas de matéria orgânica e microrganismos que serão capturados pelos próprios coanócitos.



Figura 3 - Coanócito.
(Fonte: Planeta Biologia).

A captura das partículas é feita pelo coano ou colarinho, estrutura formada por expansões da membrana plasmática (Figura 3). Após capturadas, as partículas descem até a base do flagelo, onde serão fagocitadas pelo coanócito e, em seguida, digeridas. Observamos, agora, mais uma característica. A digestão nos poríferos é exclusivamente intracelular.

Após a captura e digestão, os coanócitos entregam o alimento para os amebócitos. Células com capacidade de realizar pseudópodes e, por isso, são responsáveis pela distribuição do alimento. A estruturação corporal das esponjas-do-mar varia de acordo com a espécie, apesar do funcionamento básico de todas ser o mesmo, ou seja, o fluxo de água sempre entra pelos óstios, circula pelas cavidades internas do animal e, finalmente, é liberado pelo ósculo.

Na Figura 4 temos uma representação esquemática da estruturação corporal dos poríferos, onde estão enumeradas, de 1 a 6, as diversas estruturas no corpo dos poríferos.

Estruturas dos poríferos

1. Átrio ou Espongiocele.
2. Ósculo.
3. Canal radial.
4. Câmara vibrátil.
5. Poro ou Óstio.
6. Canal eferente.



Figura 4 - Tipos de esponjas-do-mar. Ascon (A), Sicon (B) e Leucon (C). (Fonte: https://goo.gl/ENwKxL).

Segundo a sua estruturação corporal, os poríferos podem ser classificados em três tipos, Ascon, Sicon e Leucon. As esponjas do tipo Ascon possuem uma grande cavidade central (Figura 4A). Esse cavidade, o átrio, apresenta-se de forma reduzida nas esponjas do tipo Sicon (Figura 4B), quase ausente nas esponjas do tipo Leucon (Figura 4C).

Nas esponjas do tipo Ascon, o poro dá acesso direto ao átrio, enquanto nas esponjas do tipo Sicon, a água é direcionada ao canal radial, região repleta de coanócitos. Já nas esponjas do tipo Leucon, o poro dá acesso à um canal eferente, que irá direcionar o fluxo de água para as câmaras vibráteis, onde estão localizados os coanócitos.

No que diz respeito aos tipos celulares, diversas outras estruturas podem ser observadas no poríferos. Observe a lista abaixo onde são descriminadas algumas dessas estruturas e as suas respectivas funções.

Coanócitos - Filtração e digestão intracelular.
Pinacócitos - Revestimento externo, formando a pinacoderme.
Gonócitos - Formação de gametas.
Amebócitos/Arqueócitos - Regeneração e distribuição de alimento.
Escleroblastos/Esclerócitos - Formação das espículas.
Porócitos - Formam os poros/óstios.
Espongiócitos - Produzem a espongina, um tipo de proteína que irá manter a união entre as células do corpo da esponja.

A camada de pinacócitos realiza o revestimento externo do corpo do animal, similar à função que a nossa pele exerce. Contudo, não podemos chamá-la de pele. Lembre que esses seres não possuem tecidos verdadeiros. Entre a camada de pinacócitos e coanócitos, mais interna, existe o meso-hilo ou mesênquima. É lá onde estão localizadas todas as demais estruturas citadas anteriormente (Figura 1).

As espículas (Figura 5) são estruturas silicosas ou calcárias com a função de sustentação no corpo do animal. Além da composição, o formato e o tamanho das espículas muda de acordo com as espécies.



Figura 5 - Diferentes tipos de espículas.
(Fonte: Biodiversidad de Porifera en México, Carballo et al, 2014).

No que se refere à reprodução, os poríferos são capazes de realizá-la de forma sexuada ou assexuada. Na reprodução assexuada, existe a regeneração (Figura 6), o brotamento (Figura 7) e a gemulação (Figura 8), enquanto na sexuada, há apenas a fusão de gametas, processo realizado por todos os animais. 



Figura 6 - Regeneração de poríferos.
(Fonte: Blog Biologia10).

Na regeneração, temos a participação direta dos arqueócitos/amebócitos. Essas células possuem uma incrível capacidade multiplicativa e de diferenciação celular. Elas são totipotentes, ou seja, possuem a capacidade de se transformar em qualquer outro tipo celular do corpo do animal.

Graças à essa incrível capacidade, os amebócitos também irão participar dos demais tipos de reprodução. No caso do brotamento, o que temos é uma multiplicação celular intensa localizada em um ponto do corpo do animal, dando origem à um broto (Figura 7), o que caracteriza o processo.



Figura 7 - Brotamento de porífero.
(Fonte: Blog Biologia10).

Esse broto pode permanecer ligado ao corpo principal, formando uma colônia, ou ele pode se destacar para viver isoladamente. Na gemulação, os poríferos preparam uma espécie de pacote de células, a gêmula (Figura 8). Esse pacote é formado, basicamente, por amebócitos circundados por espículas.



Figura 8 - Gêmula de poríferos.
(Fonte: Biodidac).

Como os arqueócitos dão origem às demais células do corpo do animal, elas também serão responsáveis pela formação do gonócitos, as células que irão se transformar em gametas. Desta forma, os arqueócitos também estão envolvidos na reprodução sexuada.

Os gonócitos se transformam em óvulos e espermatozoides. Os espermatozoides são liberados do corpo do animal por meio do fluxo de água que sai pelo ósculo e, após nadarem até a esponja mais próxima, entram pelos poros, continuam seguindo o fluxo de água em busca de um óvulo.

Ao encentrar o óvulo, que está fixado no meso-hilo da espoja receptora, o espermatozoide realiza a fertilização, o que caracteriza uma fecundação interna. Em seguida, o embrião se desenvolve, formando uma larva, que é liberada com o fluxo de água. A presença de uma fase larval os caracteriza como sendo de desenvolvimento indireto.



Figura 9 - Reprodução sexuada com fecundação interna.
(Fonte: Blog Biologia10).

A larva, conhecida como anfiblástula, é natante e, após localizar um ponto de fixação, prende-se ao substrato e metamorfoseia para a fase adulta, originando assim, uma nova esponja-do-mar. 

Classificação dos poríferos

Classe Calcarea - São possuidores de espículas compactas de carbonato de cálcio, podendo ser asconoides, siconoides ou leuconoides.

Classe Hexactinellida - São detentoras de espículas de sílica, muito raras, podendo ser ser siconoides ou leuconoides.

Classe Demospongiae - Possuem um "esqueleto" de espongina, fibras proteicas que podem, ou não, estar associadas à espículas de sílica. São todas leuconoides.

Classe Homoscleromorpha - São derivadas da classe Demospongiae. Apresentam uma organização epitelial e uma pinacoderme ciliada. São todas leuconoides.

Finalizo, aqui, esse artigo. Uma grande quantidade de informações lhes foi apresentada, o que lhe exige uma maior dedicação nos estudos.

Um grande abraço e bons estudos.



Referências

RUPPERT, E.E; BARNER, R. D. Zoologia dos Invertebrados. 6ª Ed. São Paulo: Roca,1996.

CARBALLO, J. L.; GÓMEZ, P.; CRUZ-BARRAZA, J. A. Biodiversidad de Porifera en México. Revista Mexicana de Biodiversidad, 2014.


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