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Genética | Codominância e Dominância Intermediária


Situações onde há ausência de dominância completa. Quando Mendel observou a transmissão de duas características simultaneamente, percebeu que elas poderiam ser herdadas independentemente. Durante seus experimentos, Mendel observou um padrão de dominância completa entre as características, ou seja, quando cruzou plantas de ervilhas amarelas com as de ervilhas verdes, a característica amarela prevaleceu.

O mesmo ocorreu com o cruzamento entre ervilhas lisas e rugosas, as lisas são dominantes. Esse padrão resultou em uma geração F2 com proporção de 3 para 1, sendo três fenótipos dominantes para um recessivo, em todos os cruzamentos realizados para avaliar as diferentes características. Contudo, um padrão de proporção fenotípica distinto foi observado.

Algumas características apresentam ausência de dominância completa, ou seja, uma característica não domina a outra completamente e, como resultado, a proporção fenotípica se altera, apresentando-se com valores distintos daqueles observados por Mendel. Talvez você se pergunte, mas não era um Lei?

Todas as características avaliadas por Mendel nas ervilhas possuíram dominância completa e, por isso, não foram detectadas alterações nas proporções. A ausência de dominância completa pode ser observada em alguns fenômenos genéticos como, por exemplo: na codominância e na dominância incompleta.
Figura 1 - Shorthorn Ruão.
(Fonte: https://bit.ly/2qmGRfr).

A codominância pode ser observada em algumas espécies de aves, de gado e, também, no homem. Nos animais citados, a codominância se apresenta na coloração das suas penas e pelos. Já na raça humana, a codominância está presente nos tipos sanguíneos.

Em todos os casos, o fenótipo codominante representa uma mistura dos fenótipos parentais. Para exemplificar isso, vamos utilizar o gado shorthorn. Na raça shorthorn, existem três padrões de pelagem. A coloração vermelha, branca e a ruão (vermelho e branco).

O padrão ruão corresponde ao caso de codominância. Se analisarmos geneticamente o padrão de cor dessa pelagem, perceberemos a presença de dois alelos, um para a coloração vermelho (V) e outro para a coloração branca (B).

Os indivíduos vermelhos e os brancos são homozigóticos, ou seja, vermelhos são VV e brancos são BB. Normalmente os alelos de um mesmo gene são representados por um mesmo tipo de letra. Contudo, como não existe dominância completa, nos vemos obrigados a utilizar letras distintas.

Pense bem, se utilizarmos uma mesma letra, por exemplo: vermelho (V) e branco (v), estaríamos assumindo a existência de um dominante e um recessivo, o que não condiz com o fenômeno apresentado, pois não há dominância completa.


Figura 2 - Cruzamentos entre as variedades da raça Shorthorn.
(Fonte: Elaborado pelo autor).

Retornando ao padrão correto, percebemos os indivíduos ruão (VB) são resultado do cruzamento entre indivíduos vermelhos (VV) e brancos (BB) e, por isso, são os heterozigóticos. Se aplicarmos o padrão de cruzamentos realizado por Mendel em seus experimentos, observamos o seguinte:

Observando a imagem acima percebemos a alteração na proporção fenotípica mendeliana. Na geração F2, foi obtida a proporção de um vermelho, dois ruãos e um branco. Lembre que a proporção obtida por Mendel foi sempre de 3:1. Essa alteração ocorreu como consequência da ausência de dominância completa.

Na dominância incompleta, também conhecida como dominância intermediária, os indivíduos heterozigóticos representam um terceiro fenótipo, um novo fenótipo, intermediário em relação aos fenótipos parentais. Esse caso pode ser observado nas flores da espécie Mirabilis jalapa, que apresenta duas variedades, flores vermelhas (VV) e brancas (BB). O cruzamento entre as duas variedades produz uma flor de cor rosa (VB).


Figura 3- Cruzamentos entre as variedades de Mirabilis jalapa.
(Fonte: Elaborado pelo autor).


Desta forma, tanto nos casos de codominância, quanto nos de dominância intermediária, a proporção fenotípica produzida é de 1:2:1, distintas da proporção mendeliana.

Finalizo aqui este pequeno artigo. Espero que tenha lhe ajudado. Bons estudos.

Referências

AMABIS, J.M.; MARTHO, G.R. Biologia: biologia das populações. 3ª Ed., vol. 3. Moderna: São Paulo, 2009.

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