Genética | Polialelia e Tipos Sanguíneos

novembro 05, 2018

A polialelia se caracteriza pela existência de várias alelos representantes de um mesmo gene. Normalmente existem dois, um dominante e outro recessivo. A combinação entre esses dois alelos possibilita a formação de indivíduos homozigotos dominantes, heterozigotos e homozigotos recessivos. Contudo, nos casos de alelos múltiplos, a existência de três ou mais alelos possibilita um maior número de combinações genotípicas.

Figura 1 - Cromossomos e genes.
(Fonte: https://bit.ly/2Dnh0MU).

Um caso típico de polialelia pode ser observado no padrão de coloração dos pelos de coelhos. Quatro alelos podem ser encontrados e, consequentemente, quatro fenótipos possíveis se manifestam. Entre os alelos existem ainda uma ordem de dominância completa. As combinações e os tipos de alelos podem ser observados na tabela abaixo.

Tabela 1 - Cor dos pelos de coelhos e seus respectivos alelos e genótipos.

Ordem de Dominância
C > Cch > Ch > c

O alelo C é o dominante dos dominantes, por assim dizer. Ele determina a coloração de pelagem aguti, uma coloração marrom. O alelo Cch determina a pelagem chinchila. O alelo Ch determina a pelagem himalaia e, finalmente, o alelo c para a pelagem albina. A existência de vários alelos também afeta a proporção mendeliana.



Figura 2 - Pelagens de coelhos. Aguti, Chinchila, Himalaio e Albino.
(Fonte: https://bit.ly/2PFD4bc).

Apesar de existirem vários alelos, eles se combinam dois a dois, como ocorre com os demais genes. Contudo, uma maior quantidade de combinações é possível. No caso da cor dos pelos de coelhos, o padrão aguti possui quatro combinações, enquanto o tipo chinchila possui três, o padrão himalaio dois e, finalmente, uma combinação para o albino.

Outro exemplo de polialelia pode ser observado na determinação dos tipos sanguíneos do sistema ABO. Nessa característica, são observados três alelos. Os tipos sanguíneos são determinados pelo gene I. Contudo, um padrão de dominância distinto daquele observado na pelagem dos coelhos se apresenta. Observe a tabela abaixo.

Sistema ABO

Tabela 2 - Tipos sanguíneos e seus respectivos genótipos, aglutinogênios e aglutininas.
Dominância
IA = IB > i

O alelo IA determina a produção do aglutinogênio/antígeno a, o que caracteriza tipo sanguíneo A. O alelo IB determina a produção aglutinogênio b, o que caracteriza o tipo sanguíneo B e, finalmente, o alelo i que, por sua vez, determina o tipo sanguíneo O. Nesse último caso, não há produção de aglutinogênios.

Quando os alelos IA e  IB estão juntos, em heterozigose, o tipo sanguíneo AB surge. Perceba que neste caso há a produção dos dois aglutinogênios (a; b). Como os dois antígenos se manifestam simultaneamente, temos um caso típico de codominância.

Além da produção de aglutinogênios, os alelos estão relacionados à produção de aglutininas/anticorpos. O alelo IA determina a produção do anticorpo Anti-b. O alelo  IB determina a produção do anticorpo Anti-a. Os indivíduos AB não produzem anticorpos e o O produz os dois tipos. A relação entre os antígenos e anticorpos é importante para a realização das transfusões sanguíneas.

Transfusões Sanguíneas


Observe o diagrama abaixo, onde estão exemplificadas as transfusões sanguíneas entre os diferentes tipos. O tipo sanguíneo O é conhecido como o doador universal. Já o tipo sanguíneo AB, é conhecido como receptor universal.
Figura 3 - Relação de transfusões sanguíneas.
(Fonte: Elaborado pelo autor).

O doador universal possui essa designação por ser capaz de doar sangue para todos os tipos sanguíneos. O receptor universal, por sua vez, é capaz de receber transfusões de todos os tipos sanguíneos.

Algumas pessoas se perguntam como é possível a transfusão do tipo sanguíneo O para os demais, tendo em vista que ele produz os dois tipos de anticorpos. Para responder isso, é preciso ter em mente a relação entre o volume de sangue dentro do corpo do receptor e o volume de sangue dentro da bolsa doada.

O corpo humano possui algo em torno de cinco litros de sangue em circulação, enquanto a bolsa possui algo próximo à 10% disso, ou seja, 500 mL. Sendo assim, a transfusão de uma bolsa de sangue representa apenas uma pequena parte do volume total de sangue do receptor.

Os anticorpos (Anti-a e Anti-b) irão atacar e destruir as hemácias do receptor, local onde se encontram os antígenos (a e b). Contudo, o nível de rejeição é pequeno, tendo em vista o pequeno volume de sangue da bolsa. É importante ressaltar que as transfusões devem ser realizadas entre tipos sanguíneo iguais.

Sistema MN


O sistema MN apresenta um outro padrão de determinação dos tipos sanguíneos. Isso ocorre por graças à um outro gene. Observe a tabela abaixo.

Tabela 3 - Tipos sanguíneos e seus respectivos genótipos.
Codominância
LM = LN

Nas hemácias, além dos antígenos do sistema ABO, existem os do sistema MN. O alelo LM condiciona a produção do antígeno M, enquanto o alelo LN condiciona a produção do antígeno N. Assim como no sistema ABO, o heterozigoto MN representa um caso de codominância.

Os anticorpos relativos à esses tipos sanguíneos (Anti-M e Anti-N) só serão produzidos quando houver sensibilização do indivíduo, ou seja, quando uma pessoa receber uma transfusão de sangue diferente do seu.

Fator Rh


Outro gene importante na determinação dos tipos sanguíneos é o do fator Rh. A sigla Rh foi dada em homenagem aos macacos do gênero Rhesus que foram utilizados nos experimentos.

Foi percebido a presença do antígeno D. Esse gene segue o padrão de dominância completa observada na primeira e segunda leis de Mendel. Os indivíduos homozigóticos dominantes (DD) e heterozigóticos (Dd) possuem o fator Rh, daí serem ditos positivos (Rh+).

Os indivíduos homozigóticos recessivos (dd) não produzem o antígeno e, por isso, são denominados como negativos (Rh-). A presença ou ausência do fator Rh também influencia diretamente nas transfusões sanguíneas. 

Como os indivíduos Rh negativos não possuem o antígeno, eles estão susceptíveis ao processo de sensibilização. Em outras palavras, quando uma pessoa Rh negativa receber sangue positivo pela primeira vez em uma transfusão, será sensibilizada e passará à produzir anticorpos Anti-Rh.

O primeiro contato com sangue Rh positivo não será problemático para a pessoa negativa, pois não existe Anti-Rh. Contudo, o segundo contato causará a aglutinação das hemácias, ou seja, a destruição das hemácias doadas pela ação dos anticorpos.

A problemática relativa à presença, ou não, do fator Rh está associada à uma doença, a Eritroblastose Fetal. Essa doença, também denominada Doença Hemolítica do Recém-Nascido (DHRN), ocorre quando mães Rh negativas geram filhos com pais Rh positivos. Essa combinação propicia a formação de filhos Rh positivos.

Durante o parto, o rompimento da placenta permite a mistura de sangue Rh positivo da criança com o Rh negativo da mãe, o que irá sensibilizá-la. Em outras palavras, ela passará a produzir anticorpos Anti-Rh. O primeiro filho positivo em nada será afetado.

No caso de um segundo filho positivo, os anticorpos Anti-Rh da mãe irão atacar e destruir as hemácias do filho. Para evitar isso, a mãe recebe injeções de imunoglobulinas Anti-Rh três dias após o parto. Essas imunoglobulinas irão destruir os aglutinogênios D residuais do feto, evitando assim, a sensibilização da mãe.

Referências

AMABIS, J.M.; MARTHO, G.R. Biologia: biologia da populações. 3ª Ed., vol. 3. Moderna: São Paulo, 2009.

Artigos Relacionados

0 comentários