Vida | Suporte Básico de Vida

novembro 09, 2018

Antes de iniciarmos nosso estudo acerca dos procedimentos relativos ao suporte básico de vida, precisamos conhecer alguns dos protocolos básicos de avaliação. Infelizmente não poderemos abordar todas as técnicas e situações existentes, pois a extensão dos conhecimentos sobre essa temática exige um curso de formação de muitas horas que contemple os aspectos teóricos e práticos em todas as situações possíveis, o que se torna inviável para o que se destina esse material. Contudo, abordaremos aqui técnicas importantes para situações mais corriqueiras, otimizando assim, nosso aprendizado.

É importante ressaltar que antes de qualquer atendimento à vítima, o socorrista deve avaliar o local e verificar o risco à própria segurança e para as demais pessoas no local e, caso seja necessário, deve sinalizar o local para evitar novos acidentes.

Parada Cardiorrespiratória (PCR)

  • Compressões torácicas com uma frequência de 100 a 120/min.
  • As compressões devem possuir profundidade de 5cm.
  • É necessário aguardar o retorno do tórax após cada compressão.
  • Deve-ser minimizar interrupções nas compressões.
  • Deve-se realizar duas ventilações a cada 30 compressões.
  • Cada ventilação deve durar 1 segundo, observado a elevação do tórax.
O sucesso do protocolo depende do desempenho adequado das informações acima. As compressões torácicas não podem ter uma frequência menor do que a esperada, ou mesmo com profundidade inferior ou superior à 5cm. As compressões não podem parar por mais do que 10 segundos e a ventilação não pode ser excessiva. Os procedimento descritos acima são aplicáveis em adultos.

Figura 1 - Reanimação cardíaca.
(Fonte:https://bit.ly/2AUYEQX).

A padrão 30:2 entre compressão/ventilação deve ser utilizado para situações com apenas um socorrista. Em casos da presença de dois socorristas, a proporção é 15:2. Nas duas situações, temos os parâmetros de procedimento para um atendimento sem o recurso de ventilação avançada. Com o suporte de ventilação avançada, temos a proporção de 6 compressões para uma ventilação.

Manobra Heimlich

  • Posicionar-se atrás da vítima com os braços na altura da crista ilíaca, no topo da “bacia”.
  • Posicionar uma das mãos fechada com o polegar sobre o apêndice xifóide, cartilagem na extremidade inferior do esterno, a “boca” do estômago. A outra mão fica espalmada, posicionada sobre a primeira, agarrando-a.
  • Com as mãos na posição correta, iniciam-se as compressões abdominais de forma rápida, direcionados para dentro e para cima, até a desobstrução.
  • Em vítimas obesas ou grávidas, as compressões devem ser realizadas sobre o esterno.
  • Em vítimas inconscientes com pulso, deve-se chamar a emergência e posicionar a pessoa em decúbito dorsal (costas para o chão), realizar as compressões sobre o apêndice xifóide, abrir as vias aéreas com hiperextensão da cabeça e remover o corpo estranho da cavidade oral, caso esteja acessível.
  • Caso não haja visualização do corpo estranho, deve-se insuflar o tórax da vítima para verificar a desobstrução. Não ocorrendo movimentação do tórax, deve-se realizar nova tentativa de insuflação e providenciar o rápido deslocamento da vítima para o hospital.
Figura 2 - Hiperextensão da cabeça para liberação de vias aéreas.
(Fonte: https://bit.ly/2OyUjpS).

Agravo Clínico

  • Vítimas com agravo cínico devem ser submetidas à uma avaliação primária, quando será verificada a sua responsividade e expansão torácica. Em situações que a vítima não responde aos estímulos e não possui movimentos respiratórios, deve-se checar a pulsação.
  • Conduta
  • Não havendo pulso, deve-se iniciar o protocolo de atendimento para os casos de PCR.
  • Caso haja pulso, deve-se abrir as vias aéreas (VA) por meio da hiperextensão da cabeça com elevação do queijo, seguindo-se com o suporte ventilatório de parada respiratória.
  • Caso a vítima esteja responsiva, deve-se proceder com a avaliação, verificando as VA e estado circulatório, além de corrigir situações de possível risco com a hiperextensão da cabeça, desobstrução de VA com aspiração e/ou remoção de próteses.
  • Também se faz necessária uma avaliação neurológica da vítima, por meio da escala de Glasgow. Essa escala se baseia na abertura ocular/pupilar e na resposta verbal e motora, fornecendo escores que indicarão a situação da vítima.

Após o atendimento primário, a avaliação secundária da vítima deve ser iniciada. Nessa avaliação, deve-se coletar informações sobre nome, idade e familiares da vítima. Realizar nova verificação dos sinais vitais (respiração, pulso, pressão arterial etc.) e instalar equipamentos de avaliação complementar para oximetria e glicemia. Avaliar as condições do corpo da vítima, verificando couro cabeludo, pescoço, tronco e membros.

Obstrução de Vias Aéreas por Corpos Estranhos

Em casos de obstrução leve, a vítima consegue responder se está engasgado, ou seja, consegue tossir, falar e respirar. Em situações de obstrução grave, a vítima consciente não consegue falar. Pode não respirar ou apresentar uma respiração com ruído que a deixe inconsciente.

Conduta
  • Em casos de obstrução leve, não interferir. Deve-se acalmar a vítima e pedir para ela tossir. Deve-se ficar atento para o caso de uma evolução para obstrução grave.
  • Em situações de obstrução grave, quando a vítima está consciente. Deve-se executar a manobra Heimlich. 
  • Em casos de inconsciência, deve-se continuar com as manobras de desobstrução e ficar atento à necessidade de uma reanimação cardiorrespiratória (RCP)
Figura 3 - Manobra Heimlich para desengasgamento.
(Fonte: https://bit.ly/2SYxwHI).

Crise Convulsiva

As crises convulsivas são acompanhadas de inconsciência e contrações musculares involuntárias. É possível observar cianose, salivação intensa, dentes cerrados e incontinência fecal e urinária. Após as convulsões, as vítimas apresentam confusão mental, sonolência, flacidez muscular e dores de cabeça.

Conduta
  • Realizar a avaliação primária da vítima, enfatizando a responsividade.
  • A vítima deve ser posicionada de lado, promovendo a aspiração de secreções para uma boa manutenção das VA.
  • Realizar a avaliação secundária da vítima, monitorando a oximetria e glicemia.
  • Encaminha a vítima para atendimento médico hospitalar.

Figura 4 - Atendimento à vítima convulsiva.
(Fonte: https://bit.ly/2z3112D).

Hipotermia

A hipotermia pode ser classificada em leve (32 a 35ºC), moderada (30 a 32ºC) e grave (<30ºC). Tendo com sintomas comuns, a presença de taquicardia, apnéia, hipertensão arterial, broncoespasmo e tremores musculares, além de confusão mental e desorientação. A pele se torna fria e pálida, com extremidades cianóticas.

Figura 5 - Extremidades cianóticas devido à hipotermia.
(Fonte: https://bit.ly/2AVnNuN).

Conduta
  • Realizar avaliação primária da vítima, com atenção especial para a respiração e pulsação.
  • Remover as roupas molhadas e providenciar aquecimento para a vítima, preferencialmente com mantas térmicas.
  • Deve-se manter a vítima em posição horizontal, minimizando a ocorrência de convulsões, além de oferecer suprimento de O2.
  • Realizar avaliação secundária da vítima e encaminhar para atendimento médico hospitalar.

Reação Alérgica Aguda - Anafilaxia

Se caracteriza pelo inchaço, urticária, prurido e rubor da pele, lábios e língua. Essa condição causa comprometimento das VA, causando dispneia, broncoespasmo e hipóxia. Em 80% das vítimas, existe redução da pressão arterial e síncope, o desaparecimento de fonemas nos vocábulos.

Figura 6 - Urticária, inchaço e rubor da pele em consequência da anafilaxia.
(Fonte: https://bit.ly/2qEbMnw).

Conduta
  • Solicitar resgate ou atendimento médico e realizar avaliação primária da vítima.
  • Afastar a vítima do alérgeno e reduzir o contato direto com o mesmo.
  • Preservar a manutenção da vias aéreas.
  • Colocar a vítima em decúbito dorsal com elevação dos membros inferiores.
  • Não permitir que a vítima levante bruscamente pelo risco de morte súbita.
  • Realizar avaliação secundária da vítima, ficando atento à necessidade de uma RCP.

Epistaxe

É o sangramento nasal intenso devido ao trauma da face, pela introdução de um corpo estranho na cavidade nasal ou pelo uso de medicação anticoagulante.

Figura 7 - Sangramento nasal intenso.
(Fonte: https://bit.ly/2PmE7h1).

Conduta
  • Realizar avaliação primária da vítima, garantindo a permeabilidade das VA.
  • Manter a cabeça da vítima elevada, com inclinação para frente, impedindo que o sangue entre nas VA.
  • Aplicar pressão nas narinas com a utilização dos dedos e compressas geladas para redução do fluxo sanguíneo.

Traumas

Os traumas podem afetar diferentes regiões do corpo, formando lesões pequenas ou extensas causadas ações violentas de agentes químicos ou físicos externos ao organismo. Em todas as situação de trauma, deve-se realizar a avaliação primária da vítima, observando a condição da cabeça, pescoço, tronco e membros. 

Verificando-se a existência de hemorragia externa intensa, os ferimentos devem ser acondicionados com gaze, realizando pressão no local afetado e, quando necessário, a utilização de torniquete como medida de controle do sangramento para evitar uma hipovolemia, a redução do volume sanguíneo. Em situações de empalamento, os objetos nunca devem ser removidos, pois podem agravar o trauma e causar sangramento abundante.

A imobilização das regiões traumatizadas é de fundamental importância para o transporte da vítima. Realizados os procedimentos de imobilização, controle de sangramento e acondicionamento dos ferimentos, deve-se proceder a avaliação secundária para garantir a estabilidade da condições vitais do indivíduo.


Figura 8 - Traumas.
(Fonte: https://bit.ly/2Dv8bRg).

Várias técnicas do suporte básico de vida envolvem medidas simples que podem ser desempenhadas por pessoas comuns, sem treinamento específico. Essas medidas, quando aplicadas de forma rápida e correta possuem efeito direto na sobrevivência das vítimas, sendo decisivo durante o resgate das mesmas.

Referências

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolos de Intervenção para o SAMU 192 - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.

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