Fisiologia | Drogas

outubro 19, 2019

Por definição, drogas são substâncias químicas que interferem no funcionamento natural do corpo, alterando a sua fisiologia. Essas alterações podem afetar até mesmo a cognição, quando interferem no cérebro, nas sinapses nervosas. Contudo, nem todas as drogas são ilícitas, muitas delas são legalizadas como, por exemplo, no uso de nicotina dos cigarros, da cafeína dos refrigerantes e no da medicação médica.

A utilização abusiva de drogas está associada à vários casos de saúde pública, causando alterações severas que se manifestam física e psicologicamente, prejudicando o desenvolvimento emocional de um indivíduo. Outra problemática associada à utilização de drogas é o da transmissão de doenças como HIV e Hepatite.

Diversos estudos demonstram que a utilização abusiva de drogas está associada à questões emocionais e sociais. Em outras palavras, as pessoas recorrem às drogas como forma de adquirir bem-estar emocional e social. Desta maneira, a melhor forma de combater e/ou evitar o crescente aumento do uso de drogas se baseia em um ato simples, a aproximação humana, um trabalho de redução do espaço emocional que cresce com o distanciamento entre as pessoas.


Figura 1 - Drogas lícitas, os medicamentos.

As drogas podem ser classificadas, basicamente, em estimulantes ou depressores (entorpecentes), e as perturbadoras (psicotrópicas). As drogas estimulantes aumentam, temporariamente, o estado de alerta e energia e, como exemplo, podemos citar a cocaína e as anfetaminas. As drogas depressoras são conhecidas por reduzir a atividade cerebral, sendo popularmente conhecidas como sedativos e anestésicos. As drogas perturbadoras são conhecidas por causarem alucinações, sendo chamadas de drogas alucinógenas, como é o caso da maconha e do LSD. Algumas drogas podem apresentar esses efeitos associados, causando diferentes estágios de estimulação, alucinações e depressão.

Devido a grande quantidade de drogas lícitas e ilícitas que são consumidas diariamente, não é possível e nem prático falarmos de todas elas aqui. Sendo assim, vamos listar algumas das principais drogas atuais que apresentam grande impacto social.


Maconha

A maconha é provavelmente a droga mais conhecida de todas. Ela é obtida a partir de uma planta (Cannabis sativa), sendo utilizada principalmente por meio do fumo. A maconha possui coloração verde-acastanhada e pode ser utilizada para a produção de haxixe e de óleos, estando associada à sensação de bem-estar, relaxamento e euforia.

O uso de maconha está associado ao aumento do apetite, a aceleração do pulso e à dificuldade de raciocínio lógico. Em grandes quantidades causa alucinações, ansiedade e pânico. Existem, ainda, casos de surtos psicóticos e esquizofrenia quando utilizada na infância e adolescência. Contudo, diversos países estão empenhados no estudo dos princípios ativos da Cannabis sp., pois se mostraram eficazes no combates à epilepsia e às dores crônicas.

Esse efeito medicinal é possível graças a existência de receptores de canabinoides nas células nervosas, regulando a liberação de mediadores químicos que, em excesso, causam a epilepsia. Esses receptores são presentes nos mamíferos, bem como em seus antepassados cordados. Estudos demonstram a presença deles até mesmo em animais primitivos como urocordados, a ascídia. 


Figura 2 - Cannabis sativa, planta da maconha.

Ao contrário dos que muitos pensam, a maconha possui sim contribuições medicinais. Contudo, seu potencial ainda é pouco explorado, o que pode estar associado ao estereótipo da planta. Tal pensamento não pode atrapalhar um avanço científico que trará contribuições significativa para a melhoria da qualidade de vida da população. Por outro lado, não podemos fechar os olhos ou agir com descaso para o consumo abusivo da droga de forma recreativa, pois isso prejudica a saúde pública.


Cocaína e Crack

A cocaína é um pó branco utilizado por meio de aspiração, injeção ou fumo. Está associada à um grande efeito de excitação e euforia, causando aumento da energia e redução do apetite e da fadiga, o que a caracteriza como droga estimulante. O uso essa droga em grandes quantidades causa convulsões, acidentes vasculares cerebrais, hemorragias e insuficiência cardíaca.

Usuários de cocaína pode, ainda, apresentar severa perda de peso, surtos psicóticos e paranoicos violentos, além de estarem susceptíveis à várias doenças infecciosas quando utilizam a droga na sua forma injetável. Alguns derivados da cocaína podem ser obtidos durante o seu processo de fabricação, como a pasta de coca e o crack.


Figura 3 - Uso de cocaína.

O crack é obtido a partir do processamento da coca com amoníaco, além de estar misturada com solventes ácidos e básicos. A utilização de crack está associada à uma intensa sensação de prazer, acompanhada de insônia, paranoia e alucinações. Contudo, os efeitos prazerosos são rápidos com duração de 5 minutos, o que causa no usuário um consumo compulsivo. A utilização de crack causa forte desnutrição e desidratação, o que leva à rachadura nos lábios, além de estar associado à ataques cardíacos e paradas respiratórias.


Ecstasy

É uma droga comumente vendida em comprimidos, mas pode ser encontrada sob outras formas. Atualmente, o termo ecstasy está associado à uma grande quantidade de substâncias diferentes, sendo amplamente distribuída em festas graças à sua ação psicoativa estimulante.

O ecstasy pode se ingerido, inalado ou injetado. Causa desidratação e tontura, acompanhada de fadiga e exaustão. A utilização exaustiva de ecstasy traz danos severos ao fígado e ao controle de temperatura corporal, podendo causar convulsões, ansiedade, alucinações e ataques cardíacos.


Figura 4 - Comprimido de ecstasy.


Heroína

É uma droga derivada da morfina, obtida da papoula, que possui princípios analgésicos. Assim com as drogas anteriores, pode ser utilizada na forma injetada, inalada ou fumada. Grandes doses de heroína estão associadas à euforia, mas também podem causar ansiedade e depressão. 

Logo após a sua utilização, o usuário apresenta pupilas contraídas, apatia, náuseas e vômitos. Causa rápida dependência, fazendo com que os usuários utilizem doses cada vez maiores para obter a satisfação, aumentando o risco de overdose. O uso contínuo provoca desnutrição e apatia. A abstinência causa câimbras, diarreias e tremores, além de calafrios e sudorese.


Figura 5 - Injeção de heroína.


Dietilamida Ácido Liśergico (LSD)

Substância encontrada inicialmente em fungos (Claviceps purpurea) que crescem em cereais e grãos. Os usuários normalmente ingerem a droga, que pode ser vendida na forma líquida ou sólida, sendo amplamente conhecida por seus efeitos alucinógenos. O efeito alucinógeno causa a distorção da percepção geométrica e temporal, além dos típicos efeitos ilusórios, podendo causar angústia e desespero em alguns usuários.As alterações psicológicas são acompanhadas de alterações físicas/fisiológicas. O usuário de LSD apresenta aumento do ritmo cardíaco e da pressão arterial, seguidas de dilatação das pupilas e boca seca.

O LSD foi descoberto em 1938 pelo químico suíço Dr. Albert Hoffmann, tendo sido muito utilizada na psiquiatria como forma de acessar o inconsciente dos pacientes, além de contribuir para o tratamento do alcoolismo e das disfunções sexuais. A droga se difundiu com grande velocidade nos anos 60, principalmente entre os hippies e universitários.


Figura 6 - Fundo psicodélico como representação do uso do LSD.


Metanfetamina

É uma droga anfetamínica que se apresenta na forma de pó ou cristais semelhantes à vidros quebrados. Ela pode ser ingerida ou utilizada na forma injetada, inalada ou fumada, causando sensação de bem-estar físico e euforia. Esse aumento de alegria e energia está associado à uma redução no apetite e aumento da fadiga. Outros sintomas associados ao consumo de metanfetaminas é o aumento da pressão arterial e do ritmo cardíaco, aumento da temperatura corporal e sudorese.

As anfetaminas podem ser encontradas em drogas conhecidas como “rebite”, muito utilizadas por caminhoneiros no passado, e no ecstasy. Contudo, essas drogas também possuem utilização medicinal, podendo ser encontradas nos medicamentos que tratam o transtorno do déficit de atenção (TDAH)


Figura 7 - Anfetaminas.


Tabagismo

A utilização de cigarros está associadas ao alto consumo de nicotina. A nicotina é um psicoativo que causa sensação de prazer ao fumante. Contudo, o uso continuado causa dependência, o que leva o fumante à um consumo cada vez maior de cigarros, charutos e similares. O uso do tabaco está associados à várias doenças. Dentre elas, destacam-se as doenças respiratórias, problemas cardiovasculares, impotência sexual, problemas gestacionais, câncer e muitos outros.

O consumo de tabaco tem crescido na China, Estados Unidos e na Rússia, tendo crescido 5% nos últimos anos. As estimativas indicam que 25% dos homens e 0,5% das mulheres são fumantes, sendo a maioria deles moradores de países de baixa renda. Apesar do aumento global, no Brasil, houve uma redução do número de tabagistas. Estima-se que nos últimos anos houve uma redução no consumo de tabaco de 17 pontos percentuais, entre os homens, e 11 pontos percentuais entre as mulheres.

Abertas vagas para tratamento de fumantes em Içara

Figura 8 - Tabagismo.


Alcoolismo

A Organização Mundial de Saúde (OMS) caracteriza o alcoolismo com doença crônica, sendo caracterizada por um conjunto de condições comportamentais, fisiológicas e cognitivas. O alcoolismo está associado à problemas gastrointestinais, de fígado e pâncreas. Outros problemas associados ao consumo do álcool podem ser observados, como a osteoporose, a anemia, problemas cardiovasculares e neuropatias periféricas.


Figura 9 - Evite o consumo de álcool.

No que diz respeito ao fígado, o uso abusivo de álcool é responsável por causar lesões no órgão. Isso ocorre por causa da função desintoxicante que o fígado desempenha no organismo, causando uma elevação nos níveis de gordura. Como consequência posterior, haverá a inflamação do órgão, caracterizando a cirrose hepática. Como sintomas da insuficiência hepática, haverá a perda do apetite, náuseas e vômitos, além do amarelamento da pele e dos olhos, a icterícia.

Nos problemas gastrointestinais, é observado o aparecimento de lesões e inflamações do esôfago e trato digestivo, causando sangramentos, vômitos e refluxo. No pâncreas, haverá inflamação do órgão, o que causa dor abdominal intensa. Os problemas cardiovasculares relativos ao uso do álcool se devem às alterações hormonais relativas ao estresse, o que causa a contração intensa dos vasos e o consequente aumento da pressão arterial. As neuropatias periféricas estão atreladas ao formigamento e dormência das mãos e pés. Contudo, esses sintomas podem acabar com a redução do consumo de álcool.

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