Fisiologia | Métodos Contraceptivos

outubro 17, 2019

Os métodos contraceptivos são fundamentais para o controle populacional, tendo em vista o crescimento progressivo e assustador da espécie humana, gerando grandes problemas sociais, econômicos e ecológicos. Na tentativa de controlar o crescimento populacional, diversos métodos podem ser utilizados, alguns deles são químicos, atuando na fisiologia do corpo humano, outro são físicos, atuando como uma barreira para impedir o encontro dos gametas e, em alguns casos, podem contribuir para reduzir a transmissão de doenças sexuais.


Métodos de Barreira

Os métodos contraceptivos de barreira são assim denominados por evitarem o encontro dos gametas, ou seja, os espermatozoides e ovócitos ficam fisicamente impossibilitados de se encontrarem. Como exemplo dos métodos de barreira, temos as camisinhas (masculina e feminina) e o diafragma.

As camisinhas são feitas de látex ou poliuretano lubrificados e impedem a subida dos espermatozoides para o útero, pois retém o esperma em seu interior. Esse método é um dos mais eficazes, pois fornece praticidade e, além de evitar gravidez, fornece até 95% de segurança contra doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

A camisinha masculina é de funcionalidade bem conhecida, devendo ser utilizada no pênis ereto durante o ato sexual. Ela deve ser removida logo após a ejaculação, ainda durante a ereção. Após a remoção, a camisinha deve ser fechada com para evitar extravasamento do esperma e, finalmente, descartada.

A camisinha feminina tem um aspecto bem diferente da masculina, devendo ser instalada na vagina ou canal vaginal. Para tal, é necessário um pouco de prática. A argola da camisinha deve ser pressionada para facilitar a introdução da mesma na vagina, deixando para fora do corpo a abertura de entrada da mesma. É por essa abertura que ser realizada a cópula durante o ato sexual. Terminado o ato sexual, a camisinha feminina deve ser removida e fechada, evitando o extravasamento do esperma em seu interior.


Figura 1 - Camisinha masculina.

Alguns cuidados são necessários no transporte, armazenamento e utilização das camisinhas. Deve-se verificar se estão guardadas em ambiente protegido do sol, se estão dentro do prazo de validade e, quando a utilização for necessária, deve-se abrir a embalagem com com cuidado, evitando danos estruturais na camisinha. É comum alguns casais abrirem a embalagem com os dedos. Essa prática pode causar danos à camisinha que prejudicam a sua eficácia. Lembrando que cada camisinha, masculina ou feminina, só deve ser utilizada uma única vez.


Figura 2 - Camisinha feminina.

O próximo método de barreira, o diafragma, deve ser usado com atenção, pois exige maior cuidado para uma correta utilização, além de deixar claro que o mesmo não evita a transmissão de DSTs. O diafragma é basicamente um anel de borracha côncavo. Ele deve ser utilizado juntamente com um gel espermicida. O gel deve ser aplicado no diafragma e este, por sua vez, deve ser introduzido no colo uterino.


Figura 3 - Diafragma.

Tendo em vista seu posicionamento, o diafragma impede a passagem dos espermatozoides para o útero e, juntamente como gel espermicida, possui uma eficácia de 90% na prevenção de uma gravidez. A utilização do diafragma depende de avaliação médica, pois o mesmo irá indicar o tamanho correto a ser utilizado.

Diferentemente das camisinhas, o diafragma não é descartável. Contudo, não pode ser utilizado por mulheres virgens, com alergia ao látex, com infecções no canal vaginal ou, ainda, durante a menstruação. Esse método exige, ainda, que o diafragma seja colocado 30 minutos antes da relação e, para a remoção, são necessárias pelo menos 12h após o término do ato sexual.

Vasectomia tem sucesso: ilustração do procedimento
Figura 4 - Vasectomia.

A laqueadura e a vasectomia. Nesses processos, temos o seccionamento das tubas uterinas e do canal deferente, respectivamente. Esses procedimentos impedem o encontro dos gametas e, apesar de serem processos de esterilização, adequam-se ao nosso conceito de barreira. No caso da laqueadura, os ovócitos ficam impossibilitados de chegar ao útero e, no caso da vasectomia, os espermatozoides ficam impossibilitados de serem eliminados na ejaculação. 

Reversão da laqueadura - Art Fértil

Figura 5 - Laqueadura tubária.

O avanço tecnológico na esterilização feminina permitiu o desenvolvimento de uma técnica menos invasiva, na qual são utilizados tampões nas tubas uterinas que evitam a passagem dos gametas e, também, a necessidade de um seccionamento. Esse novo procedimento se apresenta como um método contraceptivo eficaz e reversível.


Métodos Hormonais

A pílula anticoncepcional feminina e masculina, pílula do dia seguinte e injeções anticoncepcionais. Esses métodos se baseiam na fisiologia corporal, fornecendo ao organismos os hormônios necessários para evitar uma gravidez. Na pílula anticoncepcional regular, é comum a presença dos hormônios estrógeno e progesterona. Esses hormônios atuam, respectivamente, desenvolvendo o endométrio e mantendo essa camada do útero durante a gestação. Contudo, esses hormônios possuem um outro efeito, denominado feedback negativo.

Quando as taxas sanguíneas de estrógeno e progesterona estão altas, há a inibição da secreção dos hormônios folículo estimulante (FSH) e luteinizante (LH). Esses hormônios atuam no ovário, causando a maturação e a ovulação, respectivamente. Desta forma, a presença de estrógeno e progesterona impede a ovulação, evitando assim, uma gravidez.


Figura 6 -Pílulas anticoncepcionais.

As pílulas anticoncepcionais regulares vem em cartelas com 20 comprimidos, um para cada dia do ciclo menstrual. Os demais dias do mês apresentaram uma redução da concentração dos hormônios, tendo em vista a não ingestão dos comprimidos. Isso é feito desta forma, para permitir a ocorrência da menstruação, respeitando a fisiologia normal do corpo da mulher. Contudo, há vários relatos de de sensações de enjoo, mal estar estomacal, dores de cabeça, aumento de peso e possíveis embolia pulmonar, trombose e AVC.

As injeções anticoncepcionais possuem o mesmo princípio das pílulas, evitar a ovulação. Contudo, nesse método, há a administração de uma grande dose hormonal em uma única aplicação, ao contrário do que ocorre com a pílula regular, onde doses menores são administradas diariamente durante o período de 28 dias.

O avanço tecnológico permitiu o desenvolvimento de um anticoncepcional masculino, nada mais é do que um medicamento capaz de reduzir os níveis de testosterona no homem que, por sua vez, reduzem a produção de espermatozoides. Entretanto, essa é uma técnica recente e que ainda não está disponível para comercialização. Outro ponto importante dessa nova técnica é o da avaliação dos efeitos no organismo masculino, o que supostamente não afetou a líbido e o desempenho sexual dos homens avaliados nos primeiros testes.

A pílula do dia seguinte, por sua vez, possui grande concentração de hormônios que objetivam, principalmente, evitar a implantação do embrião no útero, bem como a ovulação. Por isso, esse método deve ser utilizado até 72h após a relação sexual. Dada a sua funcionalidade, esse método é considerado abortivo e não deve ser utilizado como se fosse uma pílula regular.
Métodos de baixa eficácia

O coito interrompido e a tabelinha. O primeiro consiste na retirada do pênis da vagina antes a ejaculação, o demonstra a sua baixa eficácia, até mesmo porque algumas secreções masculinas que são liberadas antes da ejaculação que podem conter espermatozoides. No segundo, a tabelinha, temos a avaliação do ciclo menstrual de tal forma que se possa prever o dia da ovulação e, consequentemente, o período fértil. Essa avaliação do ciclo ovulatório é pouco eficaz graças às suas variações hormonais, o que podem aumentar ou reduzir o número de dias do ciclo, afetando a previsão.

O ciclo reprodutivo regular é composto por 28 dias e, consequentemente, espera-se que a ovulação ocorra entre o 14º e 16º dia do ciclo. Com base no 14º, teríamos um período fértil baseado em 3 dias antes e 3 dias depois dessa data, ou seja, do 11º ao 17º dia. Esses dias são estimados tendo em vista a sobrevivência dos espermatozoides e do ovócito no corpo da mulher. Outra característica que podem ser observadas para descobrir o período de ovulação é o aumento da temperatura corporal da mulher, o que ocorre em consequência da pequena inflamação causada no organismo.


Figura 7 - Ciclo de 28 dias com destaque para o período fértil e a menstruação.



Dispositivo Intrauterino (DIU)

Esse método consiste na implantação de objeto estranho no interior do útero. Esse objeto, o DIU, normalmente possui um formato de T, podendo ser produzido em plástico e metal. Sua presença no útero causa uma inflamação que estimula uma maior proliferação de macrófagos, células de defesa do organismo com capacidade fagocitária. Essas células, em grande quantidade no útero, atacam e destroem os espermatozoides e embriões que por lá passem e, por isso, é considerado abortivo.


Figura 8 - Dispositivo Intrauterino - DIU.

Referências

Hall, John E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª ed. Elsevier: Rio de Janeiro, 2011.

Amabis, J.M., Martho, G.R. Biologia: biologia dos organismos. 3ª Ed., vol. 2. Moderna: São Paulo, 2009.

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