Histologia | Tecidos Ósseo e Cartilaginoso

outubro 24, 2019

A cartilagem está presente na constituição esquelética dos vertebrados, em alguns casos, é o principal componente (peixes cartilaginosos), em outros, é coadjuvante. Mesmo nos animais com esqueleto predominantemente ósseo, as cartilagens se fazem presentes, sendo observadas nas extremidades dos ossos, reduzindo o atrito entre as suas articulações. As cartilagens também atuam na modelagem e na sustentação de estruturas como as do septo nasal e do ouvido externo.



Figura 1 - Cartilagens presentes nas extremidades de ossos longos.

Assim como os demais tecidos conjuntivos, o tecido cartilaginoso apresenta grande quantidade de matriz extracelular. Essa matriz é constituída por colágeno e proteoglicanos produzidos por células específicas, os condroblastos. Essas células trabalham ativamente na produção da matriz durante a sua fase jovem. Com o envelhecimento, a atividade dos condroblastos diminui, as células perdem volume, retraindo-se, passando a ser denominadas condrócitos. 



Figura 2 - Cartilagem hialina constituinte do ouvido externo.

Apesar dos tecidos conjuntivos serem conhecidos por possuírem vascularização, o tecido cartilaginoso é avascular, ou seja, não possui vasos sanguíneos, tornando-se uma exceção à regra. Como consequência, os condroblastos e condrócitos recebem nutrientes e oxigênio por difusão através da matriz. Esses nutrientes são provenientes do pericôndrio, camada de tecido conjuntivo que envolve a cartilagem.


Tipos de Cartilagens

O tecido cartilaginoso pode ser classificado em três tipos: a cartilagem hialina, elástica e fibrosa. A cartilagem hialina apresenta poucas fibras colágenas e, por isso, sua matriz é mais homogênea. Essa cartilagem é observada na traqueia, na laringe e nas extremidades dos ossos articulados.



Figura 3 - Cartilagens laríngeas.

As cartilagens elásticas, por sua vez, possuem mais fibras colágenas e elásticas entrelaçadas, sendo observada na estruturação da orelha, do septo nasal e da epiglote.

As cartilagens fibrosas ou fibrocartilagens possuem uma grande quantidade de fibras colágenas e, por isso, são as mais resistentes. Essas cartilagens podem ser observadas entre as vértebras da coluna, formando os discos intervertebrais. Esses discos promovem o amortecimento de impactos , além de reduzir o atrito entre as vértebras.


Figura 4 - Cartilagem fibrosa formando os discos intervertebrais.


Tecido ósseo

Diferentemente do tecido cartilaginoso, o tecido ósseo possui um matriz extracelular extremamente rígida, tudo isso graças à presença de fibras colágenas associadas à fosfato de cálcio [Ca3(PO4)2], além de minerais como o magnésio, o potássio e o sódio.


Figura 5 - Matriz óssea.

Os ossos comumente apresentam camadas concêntricas de matriz mineralizada ao redor de canais que permitem a passagem de vasos sanguíneos e tecidos nervosos que irão nutrir e transferir informações para as células, respectivamente. Esses canais, antigamente denominados como canais de Havers, distribuem-se transversal e longitudinalmente dentro dos ossos, formando o sistemas haversianos ou osteônios.

Radiologia nota 10 é aqui Desde 2010: Osso longo
Figura 6 - Sistema Haversiano na estrutura óssea.

As células produtoras da matriz óssea são denominadas osteoblastos. Essas células possuem longas projeções citoplasmáticas, elas secretam a matriz ao seu redor e, consequentemente, ficam confinadas em uma pequena câmara. Quando retraem, os osteoblastos passam a ser chamados de osteócitos e ocupam apenas a câmara central formada no interior da matriz, deixando livres pequenos canais de comunicação onde antes havia os seus prolongamentos citoplasmáticos. Esse canais permitirão a passagem de nutrientes para as células.

Uma outra célula deve ser destacada no tecido ósseo, os osteoclastos. Essas células são formadas da união de monócitos e, por isso, são multinucleadas, sendo responsáveis pela reabsorção da matriz óssea de áreas danificadas. Essa destruição promovida pelos osteoclastos permite a remodelagem da estrutura óssea pelos osteoblastos.



Figura 7 - Representação do esqueleto humano.

A estrutura óssea do esqueleto humano adulto é formada por 206 ossos, o que representa aproximadamente 14% da massa corporal. Nos ossos longos e chatos pode ser observada a presença da medula óssea vermelha, estrutura responsável pela produção das células sanguíneas, e a medula óssea amarela, rica em adipócitos, ou seja, um armazenamento de gordura.



Figura 8 - Medula óssea vermelha do fêmur.

Além de promover a sustentação, proteção e locomoção, o esqueleto é uma importante fonte de cálcio. A retirada de cálcio dos ossos é realizada por ação do hormônio das paratireóides, o paratormônio, o que aumenta os níveis sanguíneos de cálcio. Por outro lado, o armazenamento de cálcio é realizado por ação do hormônio calcitonina, produzido pela tireóide, o que reduz o nível de cálcio sanguíneo.

A superprodução de paratormônio causa uma forte retira de cálcio dos ossos. Essa descompensação afeta diretamente a estrutura óssea, tornando-a frágil e quebradiça, caracterizando assim, a osteoporose.

Referências

Hall, John E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª ed. Elsevier: Rio de Janeiro, 2011.

Amabis, J.M., Martho, G.R. Biologia: biologia dos organismos. 3ª Ed., vol. 1. Moderna: São Paulo, 2009.

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