Histologia | Tecidos Conjuntivos

outubro 24, 2019

Características Gerais

O tecido conjuntivo é oriundo da mesoderma, sendo fundamentalmente formado por fibras protéicas com função elástica e de resistência. A organização e composição dessas fibras varia de acordo com os tipos de tecidos em que se encontram. Além da massiva presença de fibras, os tecidos conjuntivos se caracterizam por serem vascularizados, com uma exceção, e por possuírem uma grande quantidade de matriz extracelular.

Figura 1 - Tecido conjuntivo.


No que se refere aos tipos de tecido conjuntivo, temos o seguinte:


Classificação dos tecidos conjuntivos

TC Propriamente ditos
  • Frouxo
  • Denso
    • Modelado
    • Não-modelado
TC Especiais
  • Adiposo
  • Cartilaginoso
  • Ósseo
  • Hematopoietico

Tecido conjuntivo propriamente dito (TCPD)

Esse tecido, como o próprio nome sugere, é aquele que de fato melhor desempenha as funções de preenchimento e sustentação típicas dos tecidos conjuntivos. O TCPD pode ser encontrado na derme, nos tendões e ligamentos, além de estarem associados aos vasos sanguíneos e aos nervos que irão adentrar nas estruturas dos demais tecidos, fornecendo-os nutrição.


Figura 2 – Tipos de tecidos conjuntivos

Como dito anteriormente, os tecidos conjuntivos possuem grande quantidade de matriz extracelular. Essa matriz é formada por fibras proteicas e pela substância fundamental amorfa. Essa substância é composta por glicoproteínas adesivas, glicosaminoglicanas e proteoglicanas. As glicoproteínas adesivas se associam com fibras colágenas e as proteoglicanas para manter a adesão da matriz e com as células.

Os glicosaminoglicanos possuem carga elétrica negativa, o que promove a atração por molécula de água ao seu redor, fenômeno conhecido como solvatação. Essa solvatação permite que os glicosaminoglicanos aumentem seu volume em até mil vezes. 

A hidratação promovida pela solvatação é responsável pela fluidez e viscosidade da matriz extracelular, o que afeta diretamente a distribuição de nutrientes e a movimentação celular dos tecidos.


As fibras do tecido conjuntivo

Inseridas na substância amorfa, temos as fibras colágenas, reticulares e elásticas. As fibras colágenas são conhecidas por sua típica função de resistência, estando abundantemente distribuídas pelo corpo e sendo classificadas, basicamente, de acordo com o nível de resistência que proporcionam.


Figura 3 – Fibras colágenas e elásticas

As fibras colágenas representam aproximadamente 30% do peso protéico do corpo, podendo ser encontradas em tendões e ligamentos do corpo, além de fazerem parte das cápsulas de órgãos, da derme e do tecido conjuntivo frouxo. Essas proteínas estão organizadas três a três, formando uma tripla-hélice, o que explica sua grande capacidade de resistência. 

As fibras reticulares possuem colágeno (tipo 3) em sua composição, o que lhes confere maior resistência. Contudo, essas fibras são mais finas ramificadas, e estão distribuídas aleatoriamente, formando uma malha de sustentação. Essa disposição é fundamental para dar suporte à diversos órgãos, como: baço, linfonodos e a medula óssea vermelha.

As fibras elásticas, por sua vez, são formadas por proteínas especiais, as elastinas. Essas proteínas estão em associação com glicoproteínas e se organizam em malhas e podem ser observadas na estruturação da pele, o que proporciona a sua típica capacidade elástica. 

De acordo com a disposição das fibras, o TCPD pode ser classificado em frouxo ou denso. O TCPD frouxo é assim denominado graças a presença de fibras frouxamente entrelaçadas, que preenchem os espaços entre os tecidos, dando sustentação aos mesmos. Esse tipo de tecido pode ser observados entre os vasos sanguíneos e na derme.

Um tecido conjuntivo frouxo especial é o adiposo. Esse tecido se destaca pela capacidade de armazenamento de gordura, que servirá de reserva energética para o organismo, além de propiciar uma maior proteção contra impactos e um isolamento térmico. Este último é especialmente desenvolvido em animais de regiões frias, sendo composto por um tipo de gordura especial, a gordura marrom.

Figura 4 - Estrutura básica da pele.
(Fonte: Cancer Research UK / Wikimedia Commons).

O armazenamento de gordura é possível graças à presença de células típicas, os adipócitos. Estas células estão localizadas na tela subcutânea ou hipoderme, formando a camada de tecido adiposo. O TCDP denso, por sua vez, é classificado em modelado e não-modelado. O modelado apresenta fibras organizadas paralelamente, dando origem aos tendões e ligamentos. O não-modelado possui fibras em várias direções. Entretanto, essas fibras estão densamente agregadas, dando origem às cápsulas que revestem órgãos como: rins, baço e testículos.

Diversos tipos de células podem ser encontradas nos tecidos conjuntivos, desempenhando funções variadas como: produção de fibras, defesa e estruturação dos tecidos


Células Mesenquimatosas

Formadas a partir de células tronco embrionárias. Estão presentes nos tecidos frouxos e nos órgãos hemocitopoiéticos, além de serem responsáveis pela formação de outras células do tecido conjuntivo.


Fibroblastos

São responsáveis pela produção das fibras e da substância amorfa da matriz extracelular, sendo formadas a partir da diferenciação de células mesenquimatosas.. 


Figura 5 - Fibroblastos.


Adipócitos

Estão amplamente distribuídas no tecido adiposo, possuem um formato arredondado com um grande vacúolo para o armazenamento de lipídios. Essas células são formadas a partir da diferenciação de células mesenquimatosas.


Figura 6 - Adipócitos.


Condroblastos

Estas células estão presentes nos tecidos cartilaginosos, possuem forma arredondada e produzem fibras e substância fundamental amorfa da matriz cartilaginosa. Elas são derivadas de células mesenquimatosas.


Figura 7 - Condroblastos e condrócitos.


Osteoblastos

Estas células estão presentes nos ossos, possuem longos prolongamentos citoplasmáticos e são capazes de produzir fibras e substância amorfa da matriz óssea. Elas são derivadas de células mesenquimatosas.


Figura 8 - Osteoblastos e osteoclastos.


Osteoclastos

Estas células são formadas pela fusão ou diferenciação de vários monócitos. Elas são multinucleadas e estão presentes nos ossos para realizar a destruição da matriz óssea, o que irá promover a sua reciclagem.


Mastócitos

São células de formato ovoide com um núcleo arredondado. Se originam de células-tronco multipotentes da medula ósseas vermelha, além de estarem diretamente relacionadas aos processos alérgicos, pois produzem heparina e histamina.

Mastócito – Wikipédia, a enciclopédia livre

Figura 9 - Mastócitos.


Macrófagos

Fazem parte dos leucócitos do sangue, ou seja, são células brancas. Os macrófagos estão presentes nos tecidos frouxos e possuem núcleo grande, além da capacidade de se movimentarem por pseudópodes, fagocitando invasores do organismo. Essas células se diferenciam a partir de monócitos.

4 respuestas sobre los macrófagos | MiSistemaInmune

Figura 10 - Macrófagos fagocitando bactérias.


Plasmócitos

Estas células são formadas pela diferenciação de linfócitos, células brancas do sangue, e possuem formato ovoide com um núcleo arredondado, além de um retículo endoplasmático granuloso bem desenvolvido. São responsáveis pela produção de anticorpos.


Figura 11 - Plasmócitos.
(Fonte: https://bit.ly/2BB4PIN)

Estas células serão melhor abordadas no próximo capítulo, onde iremos abordar os tecidos conjuntivos especiais. Cada uma delas, ao seu modo, irá desempenhar um papel importante para a manutenção dos tecidos cartilaginosos em que se encontram.

Referências

Hall, John E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª ed. Elsevier: Rio de Janeiro, 2011.

Amabis, J.M., Martho, G.R. Biologia: biologia dos organismos. 3ª Ed., vol. 1. Moderna: São Paulo, 2009.

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