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Fisiologia | O Processo Digestivo

A digestão se inicia com a mastigação. O ato de cortar, rasgar e triturar o alimento é conhecido como digestão mecânica, enquanto a ação enzimática caracteriza a digestão química. Para uma digestão adequada, o alimento deve estar em pedaços pequenos, facilitando assim, a ação enzimática. Uma mastigação inadequada afeta diretamente a capacidade de absorção dos nutrientes, além de causar indigestão.


Durante a trituração, o alimento é misturado à saliva que, além de realizar o umedecimento, realiza a digestão química. Na saliva encontra-se a amilase salivar ou ptialina. Essa enzima inicia o processo de digestão do amido, quebrando-o em moléculas menores, dissacarídeos de maltose. Contudo, a digestão do amido irá ocorrer prioritariamente no duodeno. 

Figura 1 -  Ativação do pepsinogênio em pepsina.

(Fonte: Life - The Science of Biology. 7ª Ed., 2004).


Após a mastigação, o bolo alimentar é deglutido, passando pela faringe e pelo esôfago até chegar no estômago. A movimentação dessa massa é realizada pelos movimentos peristálticos. Esses movimentos atuam ao longo de todo o trato digestório.


No estômago, o bolo alimentar irá sofrer a ação do suco gástrico, líquido produzido pelo estímulo da gastrina, hormônio liberado pelas células estomacais. O suco gástrico é composto principalmente por água e ácido clorídrico (HCl), mas também possui minerais e enzimas digestivas. O ácido é importante para a regulação do pH estomacal, sendo aproximadamente igual a 2. Esse valor de pH contribui para a ativação enzimática do pepsinogênio, passando-a para a forma ativa (pepsina). Essa enzima atua na digestão de proteínas, quebrando-as em moléculas menores, os peptídeos.

No suco gástrico existe, ainda, a renina. Essa enzima atua sobre a caseína do leite, proteína rica em fósforo. A ação da renina causa o efeito de “coalhar” do leite no estômago dos lactantes, o que contribui para um maior tempo de retenção no estômago, o que contribui para a ação da enzima pepsina.


O anteriormente denominado bolo alimentar é, agora, uma massa ácida pré-digerida chamada de quimo. Essa massa passa do estômago para o duodeno, onde irá receber a bile, o suco pancreático e o suco entérico


A bile é um composto lipídico obtido da metabolização do colesterol que foi realizada pelo fígado, sendo rica em sais minerais. Essa composição se relaciona diretamente com a sua função de emulsificação de gorduras. A emulsão da bile nada mais é do que a capacidade de separar as gorduras em pedaços menores, não há digestão, pois não existe enzimas, ocorre apenas uma fragmentação da gordura, um particionamento para otimizar o processo digestório.


A liberação da bile está condicionada à secreção de um hormônio, a colecistocinina. Esse hormônio é produzido pelo intestino e estimula a contração da vesícula biliar e do pâncreas, além do relaxamento do esfíncter de Oddi. Esse esfíncter controla a liberação da bile e do suco pancreático para o duodeno. Essas secreções são liberadas por canal compartilhado, canal colédoco.


Figura 2 - Órgãos do sistema digestório.

(Fonte: https://bit.ly/2AKdfym).



Juntamente com o suco pancreático, o pâncreas secreta bicarbonato de sódio para tornar o pH do meio básico, aproximadamente igual à 8. Isso é necessário para a ativação enzimática. Esse bicarbonato foi liberado pelo pâncreas por estímulo de um hormônio intestinal, a secretina


Os sucos pancreático e o entérico possuem uma grande variedade de enzimas digestivas e, por isso, são os principais autores da digestão. Dentre essas enzimas que eles possuem, destacam-se a presença de proteases, peptidases, lipases, amilases, e nucleases.


As proteases realizam a quebra de proteínas, formando oligopeptídios e aminoácidos. Como exemplo de proteases do suco pancreático, temos a tripsina, a quimotripsina, a carboxipeptidase e aminopeptidase. Já no suco entérico temo, a dipeptidase e alfa-aminopeptidase.


A tripsina é a forma ativa do tripsinogênio que foi convertida pela ação da enteroquinase, enzima intestinal. A tripsina, por sua vez, atua na ativação do quimotripsinogênio em quimotripsina. Ambos, tripsina e quimotripsina, atuam quebrando ligações internas das cadeias polipeptídicas, separando aminoácidos e formando oligopeptídeos. Devido à esse tipo de ação, essas enzimas são conhecidas como endopeptidases.


Figura 3 - Anatomia interna do pâncreas.

(Fonte: https://bit.ly/2Dl8Wwa).


A carboxipeptidase e a aminopeptidase atuam nos aminoácidos terminais das cadeias oligopeptídicas, formando aminoácidos livres. Devido à esse tipo de ação, essas enzimas são conhecidas como exopeptidases. A dipeptidase e alfa-aminopeptidase do suco entérico finalizam o processo digestório de proteínas, separando os dipeptídeos em aminoácidos.


A quebra das proteínas até a sua menor unidade (aminoácido) é necessária para possibilitar a absorção intestinal. Se dois aminoácidos permanecerem unidos, não haverá absorção devido ao tamanho da molécula. O mesmo se aplica aos demais componentes da alimentação, eles devem ser digeridos até o menor tamanho possível.


Dando continuidade ao processo digestório, vamos abordar agora, as lipases e carboidrases. A lipase pancreáticas realiza a digestão de lipídeos, produzindo ácidos graxos e glicerol, enquanto a amilase pancreática realiza a digestão do amido e do glicogênio, produzindo maltose.


A maltose é um dissacarídeo digerido pela maltase do suco entérico, enquanto outros como lactose e sacarose, são digeridos pela lactase e sacarase, respectivamente. Em todos os casos, são produzidos monossacarídeos (glicose, frutose e galactose) que serão absorvidos no intestino.


No suco pancreático existem, ainda, as nucleases. Essas enzimas, ribonuclease e desoxirribonuclease, são responsáveis pela digestão de ácidos nucleicos, RNA e DNA, respectivamente. Essa digestão produz nucleotídeos que serão absorvidos no intestino. Como dito no capítulo anterior, esses nutrientes serão absorvidos pelas vilosidades intestinais, que contém microvilosidades. Após essa absorção, forma-se o bolo fecal no intestino grosso, onde irá se acumular até ser eliminado durante a defecação.


Refluxo gastroesofágico


Doença crônica caracterizada pelo refluxo do líquido estomacal para o esófago, causando sensação de queimação no peito, a azia. Essa situação ocorre como consequência do mal funcionamento do esfíncter cárdico ou cárdia. Esse esfíncter controla a entrada do bolo alimentar no estômago e deve permanecer fechado, evitando o refluxo. O refluxo constante de líquido estomacal causa lesões na parede do esôfago, pois não existe mucosa protetora contra o ácido clorídrico. Em situações graves, observa-se a formação de ulcerações no esôfago, o que pode causar um sangramento intenso.


Referências

Hall, John E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª ed. Elsevier: Rio de Janeiro, 2011.

Amabis, J.M., Martho, G.R. Biologia: biologia dos organismos. 3ª Ed., vol. 2. Moderna: São Paulo, 2009.

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