Fisiologia | Órgãos do Sistema Digestório

maio 10, 2020

Nosso estudo sobre o sistema digestório se inicia pela boca, ou melhor, pela cavidade bucal. nessa cavidade existem várias estruturas para darmos destaque. Dentre as quais, destacam-se os dentes, língua, úvula e glândulas salivares. Os dentes são responsáveis por cortar, rasgar e triturar o alimento. Isso é possível  graças à heterodontia, ou seja, a presença de  dentes distintos, o que leva a funcionalidades diferentes.




Figura 1 - Estruturas da cavidade bucal.

(Fonte: Sobotta: Atlas de Anatomia Humana)


Em um adulto, são encontrados 2 incisivos frontais e 2 laterais, 2 caninos, 4 pré-molares e 6 molares, tudo isso na arcada superior. Se duplicarmos esse padrão para a arcada inferior, temos um todas de 32 dentes.


Os incisivos são achatados fronto-dorsalmente, ou seja, na frente e atrás. Esse formato lhes permite cortar o alimento. Já os caninos, possuem um formato pontiagudo, o que lhes permite rasgar o alimentos. Os pré-molares e molares são largos e de formata levemente cúbica, o que lhes permite triturar o alimento.


Figura 2 - Anatomia do dente.

(Fonte: https://bit.ly/2z5wL6v).


Na sua estruturação, os dentes são formados pela raiz, pescoço e coroa. Essas regiões são envolvidas por uma camada protetora, o esmaIte. Internamente, podem ser visualizadas outras estruturas. Uma camada de dentina e a polpa do dente, conectada ao canal da raiz. Por este canal passam o tecido nervoso e os vasos sanguíneos, que se estendem até a coroa do dente.


Durante a mastigação, o alimento é despedaçado e umedecido com o auxílio da saliva, líquido produzido pelas glândulas salivares: sublinguais, submaxilares e parótidas. Essas glândulas estão localizadas, respectivamente, sob a língua, sob a mandíbula e sobre os ramos mandibulares, próximas à articulação com o osso temporal.



Figura 3 -  Glândulas salivares.

(Fonte: Sobotta: Atlas de Anatomia Humana)


A língua é responsáveis por revirar o alimento dentro da cavidade bucal, misturando-o à saliva, além de ser responsável pela percepção dos sabores. A língua, juntamente com a úvula, realiza o processo de deglutição, empurrando o alimento para faringe que, em seguida, o irá encaminhar para o esôfago.


Para evitar que o alimento seja encaminhado para as vias respiratórias, a língua possui uma pequena expansão em sua base, a epiglote. Durante a deglutição, essa estrutura se move para traz, fechando a glote, a entrada para a traquéia.


Chegando ao esôfago, o alimento é agora designado como bolo alimentar e é empurrado para o estômago pelos movimentos peristálticos. Lá ele sofrerá a ação do suco gástrico, onde haverá digestão de proteínas. A entrada e a saída de alimentos no estômago é controlada por dois anéis musculares, cárdiapiloro, respectivamente.



Figura 4 - Principais órgãos do sistema digestório.

(Fonte: Sobotta: Atlas de Anatomia Humana)


O estômago possui uma musculatura oblíqua e transversa, com paredes estomacais revestidas por uma mucosa protetora contra o ácido clorídrico. Passando pelo estômago, o bolo alimentar recebe nova designação, agora é chamado de quimo, uma pasta ácida pré-digerida que será encaminhada para o intestino delgado, onde receberá a adição da bile e dos sucos pancreático e entérico, ambos ricos em enzimas que digerem proteínas, carboidratos e lipídeos.


A bile é secretada pelo fígado, acumulando-se na vesícula biliar para ser liberada durante a alimentação, enquanto o suco pancreático é secretado pelo pâncreas. Ao contrário do suco pancreático e entérico, a bile não possui enzimas digestivas, sua função está relacionada à emulsão de gorduras. 

Figura 5 - Anatomia da parede intestinal com destaque aos microvilos.

(Fonte: https://bit.ly/2SjxidT).


O processo digestório terá continuidade formando uma massa leitosa que passa a ser chamada de quilo. Ainda no intestino delgado, ocorrerá a absorção dos nutrientes. Essa absorção só é possível graças à presença de dobramentos no interior do intestino denominadas de vilosidades intestinais. Essas vilosidades possuem, ainda, dobramentos nas membranas plasmáticas de suas células epiteliais, as microvilosidades. As dobras permitem uma maior superfície de contato com as substâncias no lúmen intestinal, o que otimiza a absorção.

Figura 6 - Intestino grosso.

(Fonte: https://bit.ly/2qs0NgM).


O que não for digerido e absorvido no intestino delgado, formará uma massa que será encaminhada para o intestino grosso, onde permanecerá por até três dias, estimulando assim, a proliferação de bactérias benéficas ao intestino. No intestino grosso ocorre intensa absorção de água e sais ao longo do seu percurso: cólon ascendente, cólon transverso, cólon descendente, cólon sigmóide, reto e ânus. A massa resultante desse processo recebe o nome de bolo fecal. As fezes se acumulam no final do intestino grosso até serem eliminadas pelo ânus.

Ruminantes


O sistema digestório de mamíferos ruminantes possui algumas especializações. O estômago desses animais é dividido em quatro cavidades, Rúmen, Retículo, Omaso e Abomaso. O retículo, o rúmen e omaso são considerados pré-estômagos, enquanto o abomaso é o estômago verdadeiro, onde é produzido o suco gástrico.


Figura 7 - Estômago de ruminantes.

(Fonte: https://bit.ly/2Q3815Y).


O retículo e o rúmen realizam a digestão de do principal tipo de alimento dos herbívoros, os vegetais. Esse tipo de alimento é rico em fibras de celulose, o que demanda um grande esforço digestório. Os mamíferos não produzem a enzima celulase, necessária para o processo. Contudo, eles possuem uma relação mutualística com  microrganismos capazes de produzir essa enzima.


Quando ingerem pela primeira vez, o alimento é direcionado para o rúmen e, em seguida, para o retículo, onde será fermentado. No retículo, são formadas pequenas porções de alimento que retornam à boca com a regurgitação. O alimento é mastigado novamente e engolido, sendo direcionado ao omaso, onde ocorrerá a absorção de água. Em seguida, o bolo alimentar é direcionado para o abomaso, onde sofrerá a ação de enzimas digestivas.


Síndrome do Intestino Irritável


Essa síndrome é uma esofagogastroenterocolopatia funcional, nome difícil!. Em outras palavras, é uma condição caracterizada pela existência de contrações irregulares do intestino devido à movimentos peristálticos anormais. Esses movimentos estariam condicionados às questões emocionais que acionam a liberação hormônios denominados como encefalinas. Como o intestino possui inervações próprias, com a presença de receptores para as encefalinas, ele é capaz de responder aos estímulos hormonais, causando as contrações.


Referências

Hall, John E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª ed. Elsevier: Rio de Janeiro, 2011.

Amabis, J.M., Martho, G.R. Biologia: biologia dos organismos. 3ª Ed., vol. 2. Moderna: São Paulo, 2009.

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