Fisiologia | Tecido Hematopoiético

maio 25, 2020

O tecido hematopoiético ou hematopoiético está diretamente ligado à produção de células do sangue, o que é de fundamental importância para o desenvolvimento das funções fisiológicas do organismo como: defesas, coagulação, transporte de gases e distribuição de nutrientes.

Esse tecido pode ser observado na medula óssea vermelha, timo, baço e linfonodos. Em adultos, o tecido hematopoiético está presente nos ossos chatos (esterno, costelas, pélvis) e nas extremidades de ossos longos (fêmur). 

A medula óssea vermelha é formada por tecido conjuntivo frouxo, rico em células multipotentes, ou seja, é repleto de células que possuem a capacidade de formar outras células, no caso, as do sangue. Essas células multipotentes, também denominadas como pluripotentes, são derivadas de células embrionárias totipotentes, ou seja, células que possuem a capacidade de formar qualquer outra células do organismo.


Figura 1 - Diferenciação de células multipotentes da medula óssea vermelha.


As células pluripotentes da medula óssea formam duas linhagens principais, as células mieloides e as linfoides, ainda indiferenciadas, ou seja, sem uma função definida (Figura 1). 

As células mieloides indiferenciadas serão responsáveis pela formação das plaquetas, eritrócitos, mastócitos, basófilos, eosinófilos, neutrófilos e monócitos. Este último, formará os macrófagos e células dendríticas mieloides. 

As células linfoides indiferenciadas serão responsáveis pela formação de células Natural Killer (NK), linfócitos B e T, além das células dendríticas linfoides. Os linfócitos podem, ainda, sofrer diferenciação para formar os plasmócitos, células produtoras de anticorpos. As células NK possuem ação citotóxica, atacando e destruindo células cancerosas ou infectadas por vírus. 


Plasma

O plasma sanguíneo é formado por água , sais, proteínas, hormônios, gases, nutrientes e excretas, o que representa aproximadamente 55% do volume sanguíneo. O plasma é responsável pela fluidez do sangue, o que permite o transporte dessas substâncias. Os leucócitos e plaquetas correspondem à aproximadamente 1% do volume sanguíneo, enquanto os eritrócitos representam os demais 44%.


Figura 2 - Representação volumétrica dos constituintes do sangue.


Hemácias

Os eritrócitos são conhecidos por sua capacidade de transportar gases da respiração, levando oxigênio (O2) para os tecidos e gás carbônico (CO2) para os pulmões, onde será eliminado durante a expiração.

As hemácias são células anucleadas que possuem um formato de disco. Sua formação se dá por um processo de eritropoiese, estimulado pelo hormônio eritropoetina. Nesse processo, as células-tronco eliminam suas mitocôndrias e o seu núcleo celular, formando assim, o eritrócito.

Em seu interior, as hemácias possuem uma molécula fundamental para o transporte de gases, a hemoglobina. Essa molécula é formada por quatro cadeia polipeptídicas, duas alfa e duas beta. Cada uma dessas cadeias está associada à um grupo heme, estrutura formada por um átomo de ferro unido à protoporfirina. O grupo heme é importante para o transporte de O2 no interior das hemácias, pois o O2 se liga à cada um dos grupos heme, formando assim, a oxiemoglobina (HbO2).

As hemácias também possuem a capacidade de transportar CO2 associado à hemoglobina, formando a carboemoglobina (HbCO2). Contudo, essa não é a principal via de transporte do CO2. Esse gás também é transportado dissolvido no sangue e, ainda, sob a forma de íons bicarbonato (HCO3-).

A hemoglobina pode, ainda, se associar ao monóxido de carbono (CO), formando a carboxiemoglobina (HbCO). Contudo, por ser uma associação é muito estável, a hemoglobina fica impedida de realizar o transporte de oxigênio, causando assim, asfixia.


Plaquetas

As plaquetas ou trombócitos são fragmentos citoplasmáticos anucleados envolvidos por membrana plasmática. Possuem um formato ovalado irregular e são revestidas por uma camada glicoprotéica que lhes confere uma capacidade aderente.

Essas estruturas são derivadas de megacariócitos que emitem prolongamento para o interior dos vasos sanguíneos localizados na medula óssea vermelha. Esses prolongamentos sofrem estrangulamento e, como consequência, liberam fragmentos que serão denominados como plaquetas.

Figura 3 - Prolongamentos de um megacariócito formando plaquetas.
[Fonte: JUNQUEIRA, L.C.; CARNEIRO, 2004].


O processo de coagulação sanguínea envolve várias etapas, um efeito cascata de ativação dos fatores importantes para a ocorrência do processo.

Quando um vaso sanguíneo é lesionado, as plaquetas se agregam no local da lesão e liberam uma enzima, a tromboplastina. Essa enzima, juntamente com os íons cálcio e a vitamina K, inicia a cadeia de eventos do processo coagulatório com a ativação da protrombina para trombina. Esta, por sua vez, catalisa a ativação do fibrinogênio em fibrina.

A fibrina irá formar uma malha protéica que se entrelaça com as plaquetas e hemácias no local do ferimento, formando assim, um coágulo (Figura 4) que irá estancar a hemorragia.


Figura 4 - Coágulo - Hemácias envoltas por fibrina.


Leucócitos

Os leucócitos ou glóbulos brancos são células diretamente relacionadas às defesas do organismo. Essas defesas podem ser realizadas por meio de um processo fagocitário ou, ainda, pela produção de anticorpos por parte dessas células. Existem dois tipos básicos de leucócitos: os granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e basófilos) e os agranulócitos (monócitos e linfócitos).

Os granulócitos representam aproximadamente 65% dos leucócitos sanguíneos, sendo bem característicos quanto a presença de grânulos protéicos no citoplasma. Os neutrófilos, por exemplo, apresentam núcleo trilobulado e função fagocitária. São capazes de se mover e realizar diapedese, fenômeno em que uma célula se espreme por entre as células dos vasos sanguíneos para alcançar o tecido infectado.

Os eosinófilos possuem núcleo bilobulado e estão especialmente relacionados ao combate contra vermes parasitas. Eles realizam essa defesa, aderindo-se à superfície do parasita e liberando toxinas, íons de peróxidos e enzimas que visam a destruição do mesmo. Os eosinófilos possuem, ainda, a capacidade de secretar anti-histamínicos, o que atuam no bloqueio de reações alérgicas.


Os basófilos, por sua vez, possuem núcleo grande de forma irregular, além da capacidade de liberar histamina e heparina. A histamina é substância relacionada à resposta inflamatória e alérgica. Essa substância aumenta a permeabilidade de vasos sanguíneos, o que facilita a passagem de células de defesa e anticorpos para os locais de infecção. A heparina é um glicosaminoglicano que possui ação anticoagulante, evitando a formação de trombos.

Os monócitos são responsáveis pela formação dos macrófagos nos tecidos. Os macrófagos, por pseudópodos, deslocam-se pelos tecidos à procura de células mortas e possíveis invasores para realizar a fagocitose desses elementos.

Os linfócitos são classificados em B e T. Os linfócitos B atuam na produção de anticorpos, enquanto os linfócitos T se classificam em três: os auxiliadores, os citotóxicos e os reguladores. Os linfócitos T auxiliadores, também denominadas de CD4, são responsáveis por estimular a proliferação e maturação de linfócitos B.

Os linfócitos T citotóxicos, conhecidos como CD8, são responsáveis por matar células infectadas por vírus, evitando assim, a proliferação desses patógenos. Os linfócitos T reguladores atuam no controle da resposta imunitária, regulando a ação dos linfócitos T auxiliadores e citotóxicos. A ação dos anticorpos na defesa do organismo, corresponde ao que denominamos de imunidade humoral


Hemofilia

A hemofilia é uma doença genética recessiva ligada ao cromossomo X. Pessoas que manifestam esse gene não produzem o fator VIII de coagulação sanguínea, o que se reflete em hemorragias prolongadas, até mesmo com pequenos ferimentos. É comum a ocorrência de hemorragias internas e nas articulações, o que demanda urgência na transfusão de de sangue e a injeção de fatores de coagulação. 


Referências

AMABIS, J.M.; MARTHO, G.R. Biologia: biologia dos organismos. 3ª Ed., vol. 2. Moderna: São Paulo, 2009.

JUNQUEIRA, L.C.; CARNEIRO, J. Histologia Básica. 10ª Ed. Guanabara Koogan: Rio de Janeiro (RJ), 2004.

HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª ed. Elsevier: Rio de Janeiro, 2011.

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