Histologia | Tecido Nervoso

O tecido nervoso é responsável por transferir informações entre todos os órgãos dos sistemas que compõem o nosso corpo. Esse tecido consegue levar informações de um ponto para outro à uma velocidade surpreendente. Tudo isso por meio de células especiais, os neurônios.

A transmissão de informações para tecidos e órgãos dos diversos sistemas que compõem um organismo ocorre de forma extremamente eficaz graças à uma ampla rede de conexões formada por células especiais, os neurônios. Existem, ainda, as células da glia ou neuroglia, que dão sustentação proteção e nutrição aos neurônios

Os neurônios são capazes de transferir informações à uma velocidade de 200m/s ou, caso prefira, à 720 Km/h. Essa capacidade se torna ainda mais incrível se levarmos em conta que todo o processo de transmissão de informações se dá por meio de substâncias químicas.

Na nossa espécie, o tecido nervoso é responsável por formar todo o nosso sistema nervoso central (SNC) e periférico (SNP). O sistema nervoso central (encéfalo e medula espinal) controla o processamento e a integração das informações, enquanto o sistema nervoso periférico (nervos e gânglios) controla a transmissão de informações entre o SNC e demais órgãos do corpo.


Figura 1 - Sistema nervoso difuso (a) e centralizado (b).
(Fonte: Life - The Science of Biology. 7ª Ed., 2004).


Em outras espécies, o sistema nervoso pode apresentar um padrão de organização diferente, sendo mais rudimentar. É o caso dos cnidários, por exemplo, seres que não possuem um sistema nervoso centralizado. Em anelídeos como a minhoca, existe um sistema estruturalmente simples, mas com centralização. Contudo, ele é baseado em uma cadeia nervosa ganglionar ventral, ou seja, são vários gânglios interligados ao longo do corpo do animal, estando estes posicionados próximo ao ventre.

Apesar dos vários tipos de sistemas nervosos, os neurônios estão sempre presentes, realizando o repasse de informações entre os tecidos. E, ao contrário do que muitos pensam, na transmissão de informações não há contato direto dos neurônios com as demais células do corpo, sejam elas do próprio tecido nervoso ou não.



Figura 2 - Sentido da propagação do impulso nervoso.

Os neurônios são formados por três partes básicas: dendritos, corpo celular e axônio. Essa sequẽncia representa o sentido de propagação do impulso nervoso. Os dendritos e o axônio são prolongamentos do corpo celular que servem para a aproximação dos neurônios com as demais células, eles também podem ser chamados de neurofibras. O axônio é bem mais longo do que os dendritos e, no corpo celular, é onde está localizado o núcleo da célula.

À depender do tipo de neurônio, podem haver muitos ou poucos dendritos, assim como pode haver variação no comprimento do axônio. Neurônios da medula espinal possuem axônios muito longos, enquanto os do córtex cerebral são mais curtos. Com base nessa estruturação, os neurônios podem ser classificados em três tipos: multipolares, bipolares e pseudounipolares.



Figura 3 - Neurônios multipolar (a), bipolar (b) e pseudounipolar (c).


Os neurônios multipolares apresentam dendritos ramificados e podem ser encontrados no encéfalo e medula espinal. Os bipolares apresentam um único dendrito em oposição ao axônio, sendo responsáveis pela transmissão de impulsos provenientes de órgãos sensoriais para o SNC. Os pseudounipolares são comuns nos gânglios nervosos. Eles apresentam um único prolongamento que se divide em dois, um ramo atua como dendrito e o outro como axônio.

Quanto à sua funcionalidade, os neurônio são classificados em: sensoriais (aferentes), motores (efetores) e interneurônios (associativos). Os neurônios sensoriais são responsáveis pela captação de estímulos internos e externos ao corpo, enquanto os motores são responsáveis pelo envio de um responsa ao estímulo e, por isso, controlam órgãos ou estruturas efetoras como: glândulas e fibras musculares. Os interneurônios atuam como conectores entre os outros dois, estando localizados no SNC.

Para uma boa propagação dos impulsos, os neurônios possuem axônios revestidos com um isolante elétrico, a bainha de mielina. Essa estrutura é formada por células da glia e evita que as cargas elétricas de células adjacentes atrapalhem a propagação do impulso, umas das outras. 


Figura 4 - Neurônio com destaque para a bainha de mielina.

Nos gliócitos, destaca-se a presença dos astrócitos, da micróglia , dos oligodendrócitos e das células de Schwann. Os astrócitos possuem muitos prolongamentos citoplasmáticos, o que lhes confere um aspecto de estrela. Esses prolongamentos se ligam 

aos neurônios e aos capilares sanguíneos, o que torna os astrócitos uma ponte para a nutrição dos neurônios. A micróglia é formada por células menores que possuem poucos prolongamentos citoplasmáticos. Essas células são responsáveis pela fagocitose de restos celulares do tecido nervoso.

Os oligodendrócitos e as células de Schwann, por sua vez, formam a bainha de mielina, dando voltas ao redor do axônio. Contudo, os oligodendrócitos atuam no SNC, enquanto as células de Schwann atuam nos neurônios do SNP. As células da bainha ficam posicionadas lado a lado ao longo do axônio, formando pontos de interseção denominados de Nódulos de Ranvier. Essa organização demonstra que a bainha de mielina não é contínua. 

As neurofibras, mielinizadas ou não, são revestidas por uma camada fina de tecido conjuntivo, o endoneuro. Um conjunto de neurofibras, cada uma com o seu endoneuro, é revestido por outra camada de tecido conjuntivo, o perineuro e, finalmente, neurofibras já envoltas pelo perineuro são agrupadas e envolvidas pelo epineuro, formando assim, os nervos.

Como dito anteriormente, não existe contrato direto entre as células que enviam e recebem impulsos. Sendo assim, como se dá o repasse de informações? Entre as células nervosas existe um pequeno espaço chamado de fenda sináptica. É nesse espaço onde serão lançados os mediadores químicos (adrenalina, noradrenalina, dopamina, serotonina e acetilcolina, por exemplo), substâncias que irão iniciar o impulso na célula seguinte, permitindo assim, a sua continuidade.

Figura 5 - Liberação de neurotransmissores na fenda sináptica.

O impulso nada mais é do que uma alteração de cargas elétricas da membrana celular desencadeada pelos neurotransmissores. Contudo, para que o impulso seja bem sucedido, a membrana das células-alvo deve estar polarizada e possuir receptores de membrana específicos para cada tipo de neurotransmissor.

Uma célula em repouso, ou seja, que não está conduzindo um impulso no momento, possui uma membrana plasmática polariza, com cargas elétricas positivas no lado extracelular e negativas no lado intracelular. Essa diferença é obtida por meio de transporte ativo de íons. processo realizado pela bomba de sódio (Na+) e potássio (K+). A bomba trabalha lançando 3 íons Na+ para fora e 2 íons K+ para dentro da célula. Como existem mais cargas elétricas saindo do que entrando, a membrana se torna polarizada.

A membrana em repouso possui um potencial elétrico de -70 mV. Quando um impulso chega à membrana, ele causa uma inversão do potencial elétrico, chegando à +40 mV. A inversão de potencial induz a abertura dos canais de Na+ e K+ presentes na membrana, o que permite a rápida entrada de íons Na+ e a rápida saída de íons K+ da célula. Esse fluxo de íons causa a inversão das cargas da membrana, processo denominada como despolarização.


Figura 6 - Propagação do impulso nervoso. 
(Fonte: Life - The Science of Biology. 7ª Ed., 2004).

A despolarização irá ocorrer em um ponto inicial da célula, causando uma espécie de “efeito dominó” nas cargas seguintes que serão invertidas por indução. À medida que essa onda de inversão de cargas se propaga ao longo da membrana da célula, o ponto inicial restabelece a sua polaridade, processo denominado de repolarização. 

Contudo, para que um impulso ocorra, o estímulo elétrico deve ser no mínimo igual a +15 mV, o que define o limiar do potencial de membrana em -55 m V. Em outras palavras, estímulos elétricos menores do que +15 mV não causarão a despolarização da membrana e, consequentemente, não haverá formação de um impulso nervoso.


Figura 7 - Variação de potencial da membrana com o impulso nervoso.

Com o estímulo adequado, a membrana inicia a despolarização, atingindo o potencial de +40 mV, fenômeno designado como potencial de ação. Após esse pico, os canais de Na+ e K+ se fecham e o bombeamento ativo dos íons contra o gradiente de concentração restabelece a polarização da membrana.

A propagação do impulso nervoso também ocorre de forma saltatória, de um nódulo de Ranvier para outro. Como os nódulos são regiões desprovidas de capa mielínica, as cargas elétricas de um nó são capazes de causar despolarizações em nós adjacentes.

Quando um impulso nervoso ocorre entre dois neurônios, temos uma sinapse neuroneuronal. Quando ocorre entre um neurônio e uma célula muscular, dizemos ser uma sinapse neuromuscular e, finalmente, quando temos a transmissão do impulso de um neurônio para uma célula glandular, fala-se em sinapse neuroglandular.

As sinapses podem iniciar por estímulos elétricos ou por estímulos químicos (neurotransmissores) que causam a despolarização da membrana. A do tipo elétrica pode ser observada em células anastomosadas, como a do músculo cardíaco. Como as células são interligadas, o potencial de ação é repassado de uma célula para a outra.

Referências Bibliográficas

HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª ed. Elsevier: Rio de Janeiro, 2011.

JUNQUEIRA, L.C.; CARNEIRO, J. Histologia Básica. 10ª Ed. Guanabara Koogan: Rio de Janeiro (RJ), 2004

AMABIS, J.M.; MARTHO, G.R. Biologia: biologia dos organismos. 3ª Ed., vol. 2. Moderna: São Paulo, 2009.

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