Fisiologia | Glândulas Endócrinas



No capítulo anterior, observamos o funcionamento da hipófise e a sua importância para a estimulação das demais glândulas do corpo. Glândulas que irão produzir outros tipos de hormônios e, assim, estimular novas células, tecidos ou órgãos, contribuindo para o equilíbrio fisiológico do organismo, para a homeostase.

Iniciaremos nossos estudos com a glândula tireoidiana. Essa glândula está diretamente relacionada ao metabolismo do nosso organismo. A tireoide está localizada na região do pescoço, logo abaixo do osso hioide e da cartilagem da tireoide, presente sobre a traqueia. É uma das maiores glândulas corpo, pesando entre 15 e 20 gramas.



Figura 1 - Glândula tireoide.
(Fonte: PAULSEN, F.; WASCHKE, J. Sobotta, 2000)


A tireoide é responsável pela secreção dos hormônios triiodotironina (T3) e tetraiodotironina ou tiroxina (T4). Esse hormônios são responsáveis pelo aumento do metabolismo e a sua secreção é controlada pelo hormônio tireotrópico (TSH) da hipófise.

Os hormônios T3 e T4 possuem iodo em sua composição. O iodo é obtido por meio da alimentação, sendo absorvido à nível intestinal na forma de iodeto (I-). A absorção do iodeto pelas células da tireoide ocorre de forma ativa, conjuntamente com íons sódio (Na+). Esse processo é conhecido como simporte sódio-iodeto.

A energia para o transporte do iodeto é proveniente da bomba de sódio e potássio. Quando esta realiza seu trabalho, bombeia sódio para fora da célula, criando assim, um gradiente de difusão facilitada para o complexo sódio-iodeto que se direciona para o meio intracelular. Como consequência, a concentração de iodeto nas células da tireoide é cerca de 30 vezes maior do que a do sangue, processo conhecido como captação de iodeto.

Quando a captação atinge o seu máximo, a concentração de iodeto pode se tornar até 250 vezes maior do que a do sangue. Dentro das células da tireoide ocorre, então, a metabolização do iodeto. Um processo de oxidação que visa a formação dos hormônios T3 e T4 que serão posteriormente secretados.

A tireoide é capaz, ainda, de secretar o hormônio calcitonina. Esse hormônio atua sobre o metabolismo do cálcio, aumentando o armazenamento desse íon nos ossos. Em outras palavras, esse hormônio atua na redução da concentração plasmática de cálcio no sangue.

Na face posterior da tireoide, localizam-se as paratireoides. Glândulas responsáveis pela produção do hormônio paratormônio. Ao contrário do que faz a calcitonina, o paratormônio é responsável pela remoção de cálcio dos ossos, ou seja, atuam no aumento da concentração plasmática de cálcio no sangue.


Adrenais ou Suprarrenais

As adrenais são glândulas localizadas sobre os rins, sendo responsáveis pela produção de uma grande variedade de hormônios oriundo de regiões distintas da glândula, a medula e o córtex renal. A medula renal corresponde à 20% da glândula, sendo responsável pela produção de epinefrina e norepinefrina em resposta ao estímulo do sistema nervoso simpático.

O córtex das adrenais, por sua vez, é responsável pela produção dos hormônios corticosteroides. Esses hormônios podem ser classificados em em dois tipos gerais, os mineralocorticoides e os glicocorticoides. O córtex renal secreta, ainda, hormônios androgênicos, assim chamados por apresentarem efeitos similares aos da testosterona, masculinizantes.



Figura 2 - Adrenal ou suprarrenal.
(Fonte: PAULSEN, F.; WASCHKE, J. Sobotta, 2000)


Os mineralocorticoides são assim denominados por atuarem diretamente sobre os rins, aumentando a reabsorção de íons nos túbulos renais, principalmente sódio e potássio. Os glicocorticoides, por sua vez, atuam nos rins melhorando a reabsorção de carboidratos nos túbulos renais, em especial, a glicose.

Um exemplo de mineralocorticoide é a aldosterona, hormônio que aumenta a reabsorção de sódio e a eliminação de potássio pelos rins, enquanto entre os glicocorticoides, destaca-se a presença do cortisol, o hormônio do estresse. O cortisol estimula a degradação de proteínas por meio da intensificação da gliconeogênese, processo metabólico que converte aminoácidos em carboidratos. O cortisol possui, ainda, um efeito bloqueador da inflamação, sendo um forte depressor do sistema imune. A aldosterona e o cortisol são hormônios derivados do colesterol e, portanto, são esteroides.


Pâncreas, Testículos e Ovários

O pâncreas, os testículos e os ovários, são glândulas anfícrinas, ou seja, possuem uma porção com secreção endócrina e outra exócrina. Contudo, abordaremos, agora, as suas porções endócrinas, assim como os seus respectivos hormônios.

O pâncreas é responsável pela produção de dois hormônios, insulina e glucagon. A insulina atua na redução da concentração plasmática de glicose, enquanto o glucagon realiza o processo inverso. A insulina presente na corrente sanguínea estimula receptores de membrana celulares que intensificam o armazenamento de glicose. Isso ocorre quando a disponibilidade energética é alta , principalmente devido à uma dieta rica em carboidratos. O armazenamento da glicose é feito na forma de glicogênio, um polissacarídeo de reserva, típico de animais. O glicogênio produzido é armazenado principalmente no fígado e nos músculos.



Figura 3 - Relação insulina-glucagon do pâncreas.


Em contrapartida, quando as concentrações plasmáticas de glicose estão baixas, o pâncreas libera o glucagon. Esse hormônio promove a quebra do glicogênio celular com a consequente liberação de glicoses para o meio extracelular, aumentando assim, os níveis plasmáticos. Esse processo de quebra é conhecido como glicogenólise. Se as reservas de glicogênio estiverem baixas, a ação do glucagon também promove a gliconeogênese, ampliando assim, a oferta de glicose para as células.



Figura 4 - Anatomia externa dos testículos.
(Fonte: PAULSEN, F.; WASCHKE, J. Sobotta, 2000)


Os testículos são responsáveis pela produção de diidrotestosterona, androsterona e testosterona. A testosterona é a mais abundante, sendo essencial para o crescimento e multiplicação das células germinativas testiculares. Esse hormônio é secretado por células testiculares específicas, as células de Leydig.

A testosterona começa a ser produzida pelos testículos fetais a partir da sétima semana de vida embrionária, sendo o hormônios responsável pelas diferenciações características entre o corpo masculino e feminino. Na puberdade, a produção de testosterona é intensificada pelo estímulo dos hormônio gonadotrópicos (LH) secretado pela hipófise. Dentre as características sexuais secundárias, influenciadas pela testosterona, destaca-se a maior produção de pelos pelo corpo, o aumento da massa muscular e, é claro, a alteração da voz.




Figura 5 - Útero, ovário e tuba uterina.
(Fonte: PAULSEN, F.; WASCHKE, J. Sobotta, 2000)


Os ovários, por sua vez, são os órgãos responsáveis pela produção dos hormônios estrogênio e progesterona. O estrogênio estimula a multiplicação das células endometriais, ampliando a quantidade de glândulas endometriais que irão auxiliar na nutrição do embrião implantado. A progesterona é conhecida por realizar a preparação do útero na segunda metade do ciclo menstrual, além de reduzir a intensidade e a frequência das contrações uterinas, evitando assim, a eliminação do embrião recém implantado.

Como dito no início, a grande diversidade de glândulas e de hormônios produzidos demonstra o quão importante é a o sistema endócrino. O quão fantástico é o seu funcionamento fisiológico, permitindo a comunicação entre as diferentes células, tecidos e órgãos dos nossos sistemas.


Doença de Graves


É uma forma comum de hipertireoidismo, condição em que a tireoide aumenta de tamanho devido à uma intensa hiperplasia. Nessa doença, anticorpos conhecidos como imunoglobulinas estimulantes da tireoide (TSIs) são formados contra os receptores de TSH, ligando-se à eles e, consequentemente, ativando continuamente a secreção pelos sistemas celulares. A alta secreção de hormônios da tireoide, por sua vez, inibe a produção de TSH pela adenohipófise. A doença de Graves é classificada, então, como autoimune.


Referências Bibliográficas

AMABIS, J.M.; MARTHO, G.R. Biologia: biologia dos organismos. 3ª Ed., vol. 2. Moderna: São Paulo, 2009.

HALLl, J E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª ed. Elsevier: Rio de Janeiro, 2011.

ALBERTS, B. et al. Biologia molecular da célula. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.

PAULSEN, F.; WASCHKE, J. Sobotta: Atlas de Anatomia Humana. 21ª Ed. Guanabara Koogan S.A: Rio de Janeiro, 2000

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