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Fisiologia | Hormônios Hipofisários





A coordenação das atividades corporais é realizada por meio de mensageiros químicos: neurotransmissores, hormônios endócrinos ou neuroendócrinos, parácrinos, autócrinos e citocinas.

Os neurotransmissores são substâncias liberadas pelas terminações dos neurônios, os axônios. Os hormônios endócrinos são produzidos por glândulas e liberados na corrente sanguínea. Os neuroendócrinos são secretados por neurônios e também viajam pela corrente sanguínea.

Os parácrinos, quando secretados pelas células, são lançados no líquido intersticial, objetivando células-alvo vizinhas. Os autócrinos também são secretados no líquido extracelular, porém, as células-alvo são as mesmas que os produziram. As citocinas, por sua vez, são peptídeos secretados no líquido extracelular que podem atuar como hormônios parácrinos, autócrinos ou endócrinos.

No que diz respeito à esse capítulo, trabalharemos os hormônios endócrinos hipofisários. A hipófise, também conhecida como pituitária, é dividida em duas porções, uma anterior e outra posterior, sendo ela responsável por secretar uma grande variedade de hormônios que possuem efeitos diversos sobre as demais glândulas do corpo. Contudo, nem todos os hormônios secretados são produzidos por ela.



Figura 1 - Tálamo, hipotálamo, hipófise e pineal.
(Fonte: PAULSEN, F.; WASCHKE, J. Sobotta, 2000).


A hipófise possui interação com as células neuroendócrinas do hipotálamo. Essas células possuem ramificações nervosas que terminam na hipófise posterior. Essas terminações secretam os hormônios antidiurético (ADH), ocitocina e hipofisiotrópicos, responsáveis por controlar a secreção da hipófise anterior.

A hipófise está localizada na base do encéfalo, logo abaixo do hipotálamo. Sua porção posterior (neurohipófise) é responsável pela secreção dos hormônios ocitocina e ADH (vasopressina). A secreção de ocitocina objetiva o aumento das contrações uterinas durante o parto e, também, dos ductos mamários, auxiliando na eliminação do leite durante a amamentação. A vasopressina, por sua vez, é responsável pelo aumento da permeabilidade dos túbulos renais, contribuindo para a reabsorção de água nos rins.

A vasopressina é inativada quando há ingestão de álcool, o que leva ao aumento da concentração plasmática do sangue e dos demais líquidos corporais, pois causa uma grande eliminação de água pelos rins, formando assim, uma urina extremamente diluída. Essa perda massiva de água causa grande desidratação nos tecidos corporais, o que gera um forte estresse tecidual responsável pelos sintomas típicos da ressaca.

Uma disfunção na região hipófise-hipotalâmica pode causar problema hormonal na produção do ADH, prejudicando a sua secreção e causando grande vontade de urinar, condição denominada de diabetes insipidus. Essa diabetes pode ser controlada por métodos hormonais e com uma maior ingestão de água e menor ingestão de sal na alimentação.

A porção anterior da hipófise (adenohipófise) é responsável por secretar os hormônios adrenocorticotrópico (ACTH), tireotrópico (TSH), somatotrópico (GH), gonadotrópicos (FSH e LH) e a prolactina.

O hormônio ACTH é responsável pelo estímulo do córtex das glândulas adrenais. O TSH é estimula a glândula tireoide. O GH estimula a síntese proteica e o crescimento. Os gonadotrópicos estimulam as gônadas, testículos e ovários. O hormônio folículo estimulante (FSH) atua na maturação dos folículos ovarianos e dos espermatozoides. O hormônio luteinizante (LH), por sua vez, estimula a ovulação e, consequentemente, a formação do corpo lúteo. Nos homens, esse hormônio estimula a produção de testosterona.

Existem três classes gerais de hormônios. Os formados por proteínas e polipeptídeos, os esteroides e os derivados de aminoácido tirosina. Os hormônios proteicos e peptídicos são formados pelo retículo endoplasmático granular, tal qual as demais proteínas. Eles são enviados para o complexo golgiense, onde serão armazenados em vesículas, até serem secretados na corrente sanguínea.

Os hormônios esteroides, por sua vez, são sintetizados a partir do colesterol e, diferentemente dos hormônios proteicos, eles não são armazenados. Isso ocorre devido a grande lipossolubilidade desses compostos, o que lhes permite a fácil saída da célula, atravessando a membrana plasmática até o líquido intersticial e, em seguida, ao sangue.



Figura 2 - Hormônios hipofisários e órgãos-alvo.
(Fonte: PAULSEN, F.; WASCHKE, J. Sobotta, 2000 -  Adaptado).


A hipófise possui, portanto, influência direta sobre as demais glândulas do corpo. Estimulando-as na secreção de seus próprios hormônios. Em algumas situações, essas glândulas também possuem influência sobre a hipófise, um mecanismo conhecido como feedback. Esse mecanismo será melhor abordado no capítulo 23, onde trataremos dos processos relacionados ao ciclo menstrual.
Pineal

Glândula localizada no epitálamo, próximo ao centro do cérebro, entre os hemisférios. Alguns cientistas afirmam que a glândula pineal é um órgão vestigial remanescente de animais inferiores. Outros afirmam que esse órgão possui função importante no controle da atividade sexual e da reprodução, além de promovem o sono, aumentar a disposição, prevenir infecções e aumentar a longevidade.

De fato, experimentos com animais foram realizados. Neles, houve a remoção da glândula ou o corte das suas inervações e, como consequência, esses animais perderam os períodos normais de fertilidade sazonal. Isso provavelmente ocorre devido à sensibilidade que a glândula possui à luz. Um outro motivo se relaciona à sua secreção. A glândula pineal secreta melatonina, um hormônio derivado da serotonina.

A secreção da melatonina causa um efeito inibitório dos hormônios gonadotrópicos, impedindo que as gônadas os secretem. Contudo, após 4 meses de inibição, a produção dos hormônios gonadotrópicos supera o efeito inibitório, permitindo aos animais plena funcionalidade reprodutiva.



Transporte de hormônios no sangue


Os hormônios hidrossolúveis são produzidos e liberados no líquido intersticial, chegam ao sangue e viajam até as células-alvo dissolvidos no plasma sanguíneo. Já os hormônios esteroides e os da tireoide, viajam ligados às proteínas plasmáticas, o que dificulta sua difusão através dos capilares, tornando-os inativos até que possam se desprender dessas proteínas.


Referências Bibliográficas

AMABIS, J.M.; MARTHO, G.R. Biologia: biologia dos organismos. 3ª Ed., vol. 2. Moderna: São Paulo, 2009.

HALLl, J E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª ed. Elsevier: Rio de Janeiro, 2011.

ALBERTS, B. et al. Biologia molecular da célula. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.

PAULSEN, F.; WASCHKE, J. Sobotta: Atlas de Anatomia Humana. 21ª Ed. Guanabara Koogan S.A: Rio de Janeiro, 2000

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